10/04/2026
Existe uma pergunta silenciosa por trás de muitos sofrimentos: por que alguém continua ligado justamente a quem fere?
Na leitura de Sigmund Freud, esse tipo de vínculo não é fraqueza. É estrutura psíquica. É história emocional repetindo-se onde ainda há algo não resolvido.
Compulsão à repetição
A mente tenta reviver situações antigas na esperança inconsciente de finalmente ter um desfecho diferente. Você não está escolhendo a dor, está tentando reescrever o passado.
Fixação afetiva
Quando houve uma marca emocional forte em fases iniciais da vida, o psiquismo pode ficar “preso” naquele tipo de relação, mesmo que ela machuque.
Necessidade de reconhecimento
Existe um desejo profundo de ser visto, validado e amado por quem representa, simbolicamente, figuras importantes do passado.
Amor e dor confundidos
Se, em algum momento da vida, amor veio acompanhado de sofrimento, o inconsciente pode passar a entender que um não existe sem o outro.
Baixa elaboração do próprio valor
Quando o sujeito não reconhece seu próprio valor, aceita menos do que merece, como se a dor fosse o preço inevitável do afeto.
Medo do abandono
A dor conhecida parece menos assustadora do que o vazio do desconhecido. Permanecer ferido parece mais seguro do que estar só.
Ganho inconsciente
Por mais paradoxal que pareça, permanecer nesse vínculo pode trazer algum tipo de ganho interno, como evitar outras angústias mais profundas.
Quem se prende à dor não está apenas sofrendo. Está, sem perceber, tentando resolver algo que ficou aberto dentro de si.
A cura começa quando você para de perguntar “por que o outro me machuca?” e começa a investigar “o que em mim ainda aceita esse lugar?”
Porque libertar-se não é apenas sair de alguém. É sair de um padrão interno.
Osvaldo de Souza – Psicanalista Clínico