08/09/2026
Nós somos nossos pais.
E, de alguma maneira, também somos os pais deles…e muitos outros pais…
Somos feitos de histórias que começaram muito antes de nós.
Carregamos em nosso corpo a continuidade de pessoas que amaram, perderam, tiveram medo, foram corajosas, erraram, recomeçaram e, muitas vezes, sobreviveram ao que parecia impossível.
Talvez por isso existam momentos em que a vida nos coloca de joelhos.
E, nesses momentos, podemos nos lembrar:
“Eu não sou apenas eu.”
Atrás de mim existe uma longa fila de vidas.
Pessoas que atravessaram guerras, separações, abandonos, fome, perdas, doenças, injustiças, migrações, lutos e tantas outras dores que talvez eu jamais conheça por inteiro.
E mesmo assim…
…eles chegaram até mim.
A vida encontrou um caminho.
Chegou através deles, até meus pais.
Dos meus pais até mim.
E agora existe em minhas mãos.
Isso não significa que precisamos repetir suas histórias.
Não precisamos sofrer para pertencer.
Não precisamos fracassar para sermos leais.
Não precisamos carregar suas dores como prova de amor.
Podemos fazer diferente.
Porque honrar quem veio antes não é permanecer onde eles sofreram.
Às vezes, honrar é justamente ir além.
Quando a vida parecer pesada demais, talvez possamos olhar para trás…não para buscar culpa, mas para reconectar com a força.
E dizer:
“Eu sou vocês.
Eu recebi a vida de vocês.
Tudo o que vocês precisaram atravessar para que a vida continuasse, chegou até mim como força para continuar…e eu agradeço a tudo como foi.”
Então levantamos.
E seguimos.
Mais um passo.
E depois outro.
Não sabemos exatamente o que existe adiante.
Mas talvez exista algo que nossos antepassados, apesar de todas as tragédias, também procuraram durante toda a vida…
…o amor.
O amor que não apaga o passado.
O amor que não nega a dor.
O amor que olha para tudo o que foi vivido e, ainda assim, escolhe continuar.
Porque o movimento mais profundo da vida é receber o que veio antes, transformar o que for possível e entregar à próxima geração um pouco mais de liberdade…
E seguir…
Sempre um pouco mais adiante.
Porque adiante existe vida…
E