28/04/2026
Na perspectiva da psicologia e da psicanálise, fugir de si não é um ato consciente na maior parte do tempo — é um movimento psíquico de defesa.
Evitamos dores, conflitos internos, desejos que não cabem na imagem que construímos de nós mesmos.
Criamos distrações, repetimos padrões, nos ocupamos excessivamente do outro… tudo para não entrar em contato com aquilo que, dentro de nós, pede escuta.
Para Freud, esses movimentos são formas de manter conteúdos inconscientes fora da consciência.
O problema é que aquilo que evitamos, não desaparece, e sim, retorna, em forma de sintomas físicos, ansiedade, angústia ou repetições que parecem “destino”, mas são, na verdade, histórias não elaboradas.
A liberdade, então, não é fazer tudo o que se quer, mas, poder se aproximar da própria verdade, mesmo quando ela incomoda.
É sustentar o desconforto de se ver com mais honestidade: reconhecer desejos ambivalentes, limites, feridas e contradições.
É sair da posição de fuga para a posição de encontro.
Na psicologia, esse processo também está ligado à autorregulação emocional e ao autoconhecimento.
Quando você para de fugir, começa a entender o que sente, por que sente e como responde ao mundo.
Isso amplia sua capacidade de escolha.
E escolha consciente é liberdade.
Deixar de fugir de si é um ato de coragem.
Porque exige abrir mão das ilusões que te protegem, mas também te aprisionam.
A longo prazo, é o encontro consigo que permite viver com mais autenticidade, menos repetição e mais verdade.
No fundo, a liberdade não está fora.
Ela começa no momento em que você decide ficar.
Mesmo quando é difícil.
Vamos refletir?
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Patricia Moreira
Psicóloga
📞 31993962499