24/05/2026
Eram cerca de sete da manhã quando o telefone tocou.
“Doutora… a mãe morreu.”
Por alguns segundos, eu fiquei em silêncio. Ainda tentando acordar, tentando entender, tentando aceitar.
E foi naquele instante que o coração entendeu antes mesmo da mente. 😪
Dona Maria… hoje estou aqui para me despedir da senhora.
Foram 14 anos caminhando juntas. 14 anos de consultas, conversas, medos, mudanças, ajustes, tratamentos… quantas vezes sentamos juntas tentando encontrar mais uma solução, mais uma possibilidade, mais um caminho.
Na última semana, nós nos falamos todos os dias.
Como lutamos…
A senhora queria viver. E Deus sabe o quanto tentou.
E eu queria ajudar a senhora a continuar aqui.
Dizem que médicos não podem se apegar aos pacientes. Mas eu nunca consegui enxergar meus pacientes apenas como diagnósticos ou exames. Eu enxergo histórias, famílias, sonhos, medos, dores e vidas que importam.
E talvez seja isso que faça eu me entregar tanto.
Hoje o coração f**a triste. F**a a sensação de impotência que às vezes a medicina traz. Mas também f**a a paz de saber que tudo que podia ser feito, foi feito. Com ciência, dedicação, presença e amor.
E no meio da dor, me conforta saber que a senhora partiu dormindo… da forma como dizia que gostaria. Quando a vi, estava serena. E eu espero, de coração, que não tenha sentido dor.
Essa é a minha pequena homenagem à senhora.
Por toda confiança, carinho e por tudo que vivemos juntas ao longo desses anos.
Agora a senhora descansou.
Que Deus a receba em Seus braços e cuide da senhora daqui para frente🙏🏽
Vou sentir saudades. 🤍