03/06/2026
Se alguém me mostrasse essa cena 10 anos atrás, eu provavelmente não acreditaria.
Não porque eu não sonhava grande. Eu sempre sonhei.
Mas porque eu conhecia de perto as dificuldades que existiam entre os meus sonhos e a realidade.
Quando subi naquele palco, não fiquei pensando na abertura do congresso. Nem na palestra. Nem nas fotos.
Eu fiquei pensando na caminhada.
Fiquei pensando na menina que saiu de Caratinga carregando uma mala cheia de sonhos e uma promessa feita ao pai: nunca parar de estudar e ajudar o maior número de pessoas possível.
Fiquei pensando em todas as vezes que sentei sozinha para estudar anatomia. Em todas as noites desenhando, escrevendo, criando materiais e tentando encontrar uma forma melhor de ensinar aquilo que eu tanto amava.
Fiquei pensando nas épocas em que o estúdio tinha poucos alunos, nos momentos em que o dinheiro era curto, nos medos, nas inseguranças e em todas as vezes que eu não fazia ideia de como as coisas iriam acontecer, mas seguia mesmo assim.
E talvez por isso eu tenha me emocionado tanto.
Porque poucas semanas antes eu estava vivendo uma cirurgia de emergência, enfrentando a perda do nosso bebezinho e tentando me recuperar física e emocionalmente.
Então estar ali, naquele momento, ao lado da minha família, dos meus amigos e de tantos profissionais que admiro, teve um significado muito maior do que qualquer título ou reconhecimento.
Enquanto eu olhava para aquela plateia, eu só conseguia pensar em uma coisa:
Deus foi bom em todos os capítulos da minha história.
Nos mais felizes.
Nos mais difíceis.
Nos que eu entendi.
E principalmente nos que eu não entendi.
E hoje, olhando para trás, percebo que muita coisa mudou. Mas uma coisa continua exatamente igual: a vontade de aprender, ensinar e ajudar pessoas através do movimento.
Talvez tenha sido isso que me trouxe até aqui.