Prazer em Saber

Prazer em Saber Indicações de livros, cursos e eventos sobre sexualidade humana. Por isso, resolvi criar uma rede, para partilhar um pouco mais sobre estes saberes!

Esta ideia começou a ser construída a partir de uma reflexão que tive no XVI Congresso da Sociedade Brasileira de Sexualidade Humana ( ). Falar sobre sexualidade ainda é um tabu em nossa sociedade e muitas vezes não encontramos, com facilidade, um lugar para partilharmos informações científicas sobre a sexualidade, principalmente em sua interface com a Psicologia. Como uma amante por livros;

apaixonadamente Psicologia e Sexualidade espero poder compartilhar informações que visem diminuir mitos e preconceitos, bem como possibilite o crescimento de saberes diante da Sexualidade Humana
-vindo

Você tem respeitado/a a si mesmo/a?Fonte: Neff, Kristin, Manual de mindfulness e autocompaixão: um guia para construir f...
23/05/2026

Você tem respeitado/a a si mesmo/a?

Fonte: Neff, Kristin, Manual de mindfulness e autocompaixão: um guia para construir forças
internas e prosperar na arte de ser seu melhor amigo. Porto Alegre: Artmed, 2019.

Fernanda Bonato | Psicóloga (CRP 08/10734)
Doutora e Mestre em Psicologia | Especialista Se/ualidade Humana e em Terapia Se/ual |
Terapia individual e de casais

“Boa parte do nosso sofrimento surge na relação com os outros. (...) A boa notícia é que boa parte do nosso sofrimento n...
27/04/2026

“Boa parte do nosso sofrimento surge na relação com os outros. (...) A boa notícia é que boa parte do nosso sofrimento nos relacionamentos é desnecessária e pode ser prevenida pelo cultivo de uma relação amorosa com nós mesmos.
Há pelo menos dois tipos de dor relacional. Uma dor é da conexão - quando aqueles com quem nos importamos estão sofrendo.
O outro tipo é a dor da desconexão - quando experimentamos perda ou rejeição e nos sentimos magoados, com raiva ou sozinhos.
(...)
Se você está irritado com seu parceiro, mas tenta esconder isso, por exemplo, seu parceiro geralmente irá detectar a sua irritação. Ele pode perguntar: “Você está bravo comigo?. Mesmo que você negue, seu parceiro vai sentir irritação; isso vai afetar o humor dele, levando a um tom de voz irritado. Você, por sua vez, vai sentir isso e ficar ainda mais irritada, e as suas respostas terão um tom mais áspero, e assim continua o ciclo.” (Neff, 2019, p. 125)

Mas o que fazer diante disso?
Muitas vezes tentamos esconder emoções difíceis para evitar conflito. O problema é que sentimentos não desaparecem apenas porque não são nomeados, eles continuam presentes e acabam se manifestando de outras formas.
Em muitos relacionamentos, interromper esses ciclos começa com um movimento simples, mas nem sempre fácil: reconhecer o que estamos sentindo e criar espaço para falar sobre isso com mais honestidade.

Fonte: Neff, Kristin, Manual de mindfulness e autocompaixão: um guia para construir forças internas e prosperar na arte de ser seu melhor amigo. Porto Alegre: Artmed, 2019.

Fernanda Bonato | Psicóloga (CRP 08/10.734)
Doutora e Mestre em Psicologia | Especialista Se.ualidade Humana e em Terapia Se.ual | Terapia individual e de casais

Sobre perdoar outros/as e a si mesmo/a Fernanda Bonato | Psicóloga (CRP 08/10734)Doutora e Mestre em Psicologia | Especi...
26/04/2026

Sobre perdoar outros/as e a si mesmo/a

Fernanda Bonato | Psicóloga (CRP 08/10734)
Doutora e Mestre em Psicologia | Especialista Se/ualidade Humana e em Terapia Se/ual | Terapia individual e de casais

No post anterior falamos sobre o conceito de estresse de minorias, que é um conceito que abarca como  experiências repet...
23/04/2026

No post anterior falamos sobre o conceito de estresse de minorias, que é um conceito que abarca como experiências repetidas de preconceito, estigmatização e exclusão podem gerar um estresse crônico que impacta a saúde e o bem-estar.

Mas como exatamente essas experiências sociais podem influenciar comportamentos na vida s*xual?

Uma pesquisa foi realizada com 360 homens que fazem se/o com homens na China e analisou a relação entre discriminação vivenciada, se.ting e comportamentos se/uais de risco, resultou em dados que demonstrarm que
• 69,7% dos participantes relataram praticar se.ting;
• 57,8% relataram comportamentos se/uais de maior risco nos últimos seis meses.

Além disso, os pesquisadores encontraram uma associação importante entre experiências de discriminação estavam relacionadas tanto ao se.ting quanto aos comportamentos se***is de risco.

Quando os autores analisaram essas relações com mais detalhe, observaram algo interessante: o se.ting parecia funcionar como um elo entre essas experiências, ou seja, a discriminação estava associada a maior probabilidade de se.ting, e o se.ting, por sua vez, estava associado a maior probabilidade de comportamentos se/uais de risco.

Isso não significa que o s*xting seja necessariamente um problema em si. Mas o estudo sugere que experiências sociais negativas podem influenciar a forma como as pessoas buscam conexão, intimidade e interação se/ual, inclusive no ambiente digital.

Por isso, compreender a saúde se/ual exige olhar não apenas para comportamentos individuais, mas também para os contextos sociais em que esses comportamentos acontecem.

📚 Fonte: Zheng et al. Experienced discrimination, s*xting, and high-risk s*xual behaviors among men who have s*x with men. The Journal of Sexual Medicine, 2025.

Fernanda Bonato | Psicóloga (CRP 08/10734)
Doutora e Mestre em Psicologia | Especialista Se/ualidade Humana e em Terapia Se/ual | Terapia individual e de casais

A ideia é relativamente simples: pessoas que pertencem a grupos socialmente estigmatizados acabam expostas com mais freq...
21/04/2026

A ideia é relativamente simples: pessoas que pertencem a grupos socialmente estigmatizados acabam expostas com mais frequência a situações de preconceito, rejeição ou julgamento. Esse conjunto de experiências pode gerar um estresse crônico que, ao longo do tempo, influencia o bem-estar psicológico, os comportamentos e a própria saúde.

Diversos estudos mostram que experiências de discriminação vivenciada, como exclusão social, estigmatização ou tratamento desigual, estão associadas a maior sofrimento psicológico e a diferentes desfechos negativos em saúde.

Mais recentemente, pesquisadores/as têm buscado compreender como essas experiências sociais se traduzem em comportamentos concretos, inclusive no campo da s*xualidade. Nesse contexto, comportamentos digitais como o s*xting, caracterizado pela troca de mensagens ou imagens s*xualmente explícitas por meio de plataformas online, passaram a ser investigados como parte dessas dinâmicas contemporâneas de interação, intimidade e risco.

Se você quiser saber mais, espera o próximo post, porque vou trazer dados de uma pesquisa super legal sobre isso ;)

Fernanda Bonato | Psicóloga (CRP 08/10734)
Doutora e Mestre em Psicologia | Especialista Se/ualidade Humana e em Terapia Se/ual | Terapia individual e de casais

Lembram que o último post foi sobre vulvodínia?    Resolvi escrevê-lo depois que li um estudo recente investigou como fa...
15/04/2026

Lembram que o último post foi sobre vulvodínia?
Resolvi escrevê-lo depois que li um estudo recente investigou como fatores socioculturais podem influenciar o sofrimento s*xual em mulheres com vulvodínia.
Nessa pesquisa, participaram da pesquisa 456 mulheres entre 20 e 67 anos, recrutadas na Itália e, entre elas:
• 1% apresentava dor persistente
• 41,8% apresentavam vulvodínia provocada
• 5% utilizavam medicação para manejo da dor
Os resultados mostraram que:
✔ A intensidade da dor foi o fator mais fortemente associado ao sofrimento se/ual.
✔ Pressões da mídia foram a influência sociocultural mais diretamente relacionada ao sofrimento se/ual.
✔ Pressões da mídia e da família estiveram associadas a maior comparação da aparência física e maior internalização de padrões de beleza.
✔ Mulheres que comparavam mais sua aparência com outras pessoas apresentavam maior sofrimento se/ual.
✔ A pressão dos pares teve efeito apenas na comparação da aparência, mas não na internalização de padrões de beleza.
Os autores sugerem que expectativas sociais sobre como o corpo feminino deveria funcionar se/ualmente podem aumentar sentimentos de inadequação quando a experiência real envolve dor. Por isso, o estudo reforça a importância de uma abordagem biopsicossocial no cuidado da vulvodínia, que considere não apenas a dor física, mas também fatores psicológicos e socioculturais

📚 Fonte: Di Gesto C, Spinoni M, Spoto C, Porpora MG, Grano C. Sociocultural antecedents of female s*xual distress: Applying the tripartite influence model in a group of women with vulvodynia. The Journal of Sexual Medicine. 2025;22(11):2032–2040. https://doi.org/10.1093/jsxmed/qdaf230

Fernanda Bonato | Psicóloga (CRP 08/10734)
Doutora e Mestre em Psicologia | Especialista Se/ualidade Humana e em Terapia Se/ual | Terapia individual e de casais

Por que tantas mulheres demoram anos para receber diagnóstico de dor v***ar?Condições vulvovaginais, como infecções reco...
13/04/2026

Por que tantas mulheres demoram anos para receber diagnóstico de dor v***ar?

Condições vulvovaginais, como infecções recorrentes, dermatoses ou síndromes dolorosas como a vulvodínia, são relativamente comuns, sabia?

Estima-se que até 16% das mulheres cis apresentem sintomas ao longo da vida. Mas, mesmo assim, muitas delas demoram anos para receber diagnóstico ou tratamento adequado.

Um estudo recente analisou 355 pacientes atendidas em uma clínica especializada em saúde vulvovaginal nos EUA para entender quais eram os principais obstáculos para chegar ao atendimento especializado.

Os resultados chamam atenção:

• 25,9% das pacientes disseram que o maior obstáculo foi a falta de especialistas.
• 15,5% relataram não saber onde encontrar informações confiáveis sobre seus sintomas.
• Muitas também relataram experiências anteriores em que seus sintomas foram minimizados ou não receberam respostas claras de profissionais de saúde.

Em média, essas pacientes haviam passado por mais de dois profissionais de saúde antes de chegar ao serviço especializado.

Outro dado relevante: 41,7% das participantes relataram algum transtorno de saúde mental, como ansiedade ou depressão, condições que podem tanto ser consequência da dor crônica quanto influenciar o acesso ao cuidado.

Esses resultados ajudam a evidenciar algo que muitas pacientes relatam na prática clínica:

o caminho até o diagnóstico e o tratamento pode ser longo, confuso e muitas vezes solitário.

Fonte: Davis SH et al. Barriers to specialty care among patients with vulvovaginal symptoms: findings from a retrospective cohort of vulvovaginal clinic patients. The Journal of Sexual Medicine, 2026.

Fernanda Bonato | Psicóloga (CRP 08/10734)
Doutora e Mestre em Psicologia | Especialista Se/ualidade Humana e em Terapia Se/ual | Terapia individual e de casais

O que não cabe mais na sua vida?Fonte: Gaigher, Fernanda. Um anjo sussurrou no meu ouvido: cartas ao amanhã. Curitiba: M...
11/04/2026

O que não cabe mais na sua vida?

Fonte: Gaigher, Fernanda. Um anjo sussurrou no meu ouvido: cartas ao amanhã. Curitiba: Matrescência, 2020.

A vulvodínia é uma condição caracterizada por dor crônica na região da v***a, que pode ocorrer de forma persistente ou s...
09/04/2026

A vulvodínia é uma condição caracterizada por dor crônica na região da v***a, que pode ocorrer de forma persistente ou ser desencadeada por estímulos como p.n.tração, uso de absorvente interno, exame ginecológico ou toque na região.
Essa dor pode começar em qualquer fase da vida e, muitas vezes, não apresenta uma causa médica claramente identificável.
Por definição, o diagnóstico de vulvodínia é feito quando a dor v***ar ocorre na ausência de outras condições que poderiam explicá-la, como infecções, doenças dermatológicas ou alterações neurológicas.
A condição pode envolver múltiplos mecanismos, incluindo:
• alterações no sistema nervoso, que aumentam a sensibilidade à dor
• disfunções dos músculos do assoalho pélvico;
• alterações hormonais;
• processos inflamatórios;
• fatores psicológicos.
Na prática clínica, muitas mulheres cis passam por uma longa trajetória até receber o diagnóstico correto e isso pode acontecer por diversos motivos, entre eles:
• falta de conhecimento sobre a condição entre profissionais de saúde;
• confusão com outras condições ginecológicas;
• dificuldade de falar sobre dor se/ual;
• estigmas associados à se/ualidade feminina.
Além da dor em si, a vulvodínia pode impactar a vida se/ual, a autoestima e os relacionamentos, especialmente quando a atividade s*xual passa a ser evitada devido ao medo da dor. Por isso, o cuidado com a vulvodínia geralmente envolve uma abordagem multidisciplinar, que pode incluir tratamento da dor, fisioterapia do assoalho pélvico, intervenções psicológicas e educação em s*xualidade.

Fonte: Di Gesto C, Spinoni M, Spoto C, Porpora MG, Grano C. Sociocultural antecedents of female s*xual distress: Applying the tripartite influence model in a group of women with vulvodynia. The Journal of Sexual Medicine. 2025;22(11):2032–2040.

Fernanda Bonato | Psicóloga (CRP 08/10734)
Doutora e Mestre em Psicologia | Especialista Se/ualidade Humana e em Terapia Se/ual | Terapia individual e de casais

Durante muito tempo, o desejo feminino foi tratado como algo secundário, ou, até mesmo inexistente.Muitas mulheres cresc...
02/04/2026

Durante muito tempo, o desejo feminino foi tratado como algo secundário, ou, até mesmo inexistente.

Muitas mulheres cresceram ouvindo que “não devem querer demais”, que o prazer é apenas consequência, e nunca prioridade. O problema é que essas mensagens deixam marcas profundas. Elas influenciam a forma como muitas mulheres se relacionam com o próprio corpo. Não aprendem sobre prazer, não sabem o que lhes dá prazer, quais partes do corpo são zonas erógenas, ou sequer conseguem dizer onde, quando e como desejam viver a própria se/ualidade.

Desejar não é ser vulgar, assim como buscar o próprio prazer não é errado!

Ao contrário: quando uma mulher se permite conhecer o próprio corpo, ela pode desenvolver mais conexão consigo mesma, fortalecer a autoestima e construir relações mais conscientes com a própria se/ualidade. Por isso, precisamos falar sobre desejo e prazer feminino com seriedade, com informação e sem pudor ou vergonha, até mesmo porque a informação abre espaço para descoberta e a descoberta pode transformar a forma como muitas mulheres vivem o próprio corpo e a própria se/ualidade.

Fernanda Bonato | Psicóloga (CRP 08/10.734)
Doutora e Mestre em Psicologia | Especialista Se/ualidade Humana e em Terapia Se/ual | Terapia individual e de casais

Nem sempre a falta de desejo tem a ver com a relação, pelo contrário, muitas vezes, tem a ver com exaustão, com a carga ...
31/03/2026

Nem sempre a falta de desejo tem a ver com a relação, pelo contrário, muitas vezes, tem a ver com exaustão, com a carga mental do dia a dia, com responsabilidades acumuladas e a sensação constante de precisar dar conta de tudo.
O problema disso tudo é que o corpo dificilmente entra em modo prazer quando está funcionando em modo sobrevivência, já que o cansaço afeta a concentração, a energia e a disponibilidade afetiva.


Em contrapartida, o desejo se/ual costuma precisar justamente do contrário: presença, relaxamento e algum espaço mental para que a pessoa consiga se conectar consigo mesma e com o outro, ou seja, quando a mente está sobrecarregada, o corpo tende a se proteger e, muitas vezes, isso aparece como uma diminuição do desejo.

Por isso, antes de concluir que “há algo de errado” com seu desejo, pode ser útil fazer outras perguntas: estou descansando o suficiente? Estou me sentindo escutada/o e apoiada/o? Tenho tido espaço para cuidar de mim?

Em muitos casos, o que parece ser um problema de desejo pode ser, na verdade, um sinal de cansaço emocional acumulado.

Fernanda Bonato | Psicóloga (CRP 08/10.734)
Doutora e Mestre em Psicologia | Especialista Se/ualidade Humana e em Terapia Se/ual | Terapia individual e de casais

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