23/01/2026
Eu em 2016.
Com 37 anos, três meninos nos braços e o coração cheio de coragem.
Já tinha deixado para trás um sonho — a carreira na química ambiental — para viver outro, muito maior: estar presente. Presente em cada fase, em cada desafio, em cada pequena conquista dos meus filhos.
A fisioterapia já fazia parte da minha vida muito antes de ser profissão. Meus gêmeos, prematuros, com paralisia cerebral grau 4, me ensinaram cedo que o amor também é persistência. Em 2016, fazia apenas dois anos que o Davi havia conquistado o caminhar livremente, e o Lucas, com seu andador, ensaiava passinhos cheios de esperança durante as sessões de fisio. Cada passo era uma vitória. Cada sorriso, um combustível.
Para não me perder apenas na maternidade — intensa, atípica e linda — escolhi trabalhar como agente de trânsito na URBS, um concurso feito anos antes, quase como se o passado estivesse me estendendo a mão. Eu cuidava da casa, da escola, das terapias, trabalhava, estudava fisioterapia… dormia pouco, sonhava muito. Nada me cansava. Tudo era urgente. Tudo valia a pena. Eu era pura esperança em movimento.
Corta para 2026.
A Vanessa agora é mãe de quatro. Chegou a princesinha Helena, trazendo novos tons ao amor que já era imenso. Tenho meu consultório de Fisioterapia e atendo como sempre acreditei que as pessoas merecem ser atendidas: com presença, respeito e dedicação. O corpo sente mais o cansaço, é verdade, mas a alma segue disciplinada — entre o karatê, a musculação, o ballet e os estudos que nunca cessam.
No ano passado, concluí minha terceira pós-graduação em Saúde da Mulher.
E hoje, com mais histórias no corpo e mais silêncio no coração, faço uma escolha consciente: 2026 será o melhor ano da minha vida.
Porque eu continuo sonhadora.
Só que agora, com raízes mais profundas e asas mais fortes.