06/06/2026
"Eu não amo meu filho."
Quando uma mãe chega ao consultório dizendo essa frase, geralmente ela não fala com indiferença. Fala com culpa, vergonha e muito sofrimento.
Vivemos cercados pela ideia de que o amor materno nasce instantaneamente, de forma natural e incondicional. Mas a experiência real da maternidade pode ser muito mais complexa.
Às vezes, o que parece ausência de amor é exaustão, sobrecarga, depressão pós-parto, luto pela maternidade idealizada ou dificuldades na construção do vínculo.
Nesse momento inicial da maternidade, o atendimento psicológico pode ser fundamental. Ter um espaço de escuta profissional, acolhedor e livre de julgamentos, ajuda a mulher a compreender o que está sentindo e a atravessar esse período com mais suporte emocional. Muitas vezes, essas mães são julgadas justamente quando mais precisam ser acolhidas.
O amor não é apenas um sentimento que aparece. Ele também pode ser uma construção. Pode ser tecido nos cuidados diários, nos encontros possíveis e na relação que se constrói ao longo do tempo.
Falar sobre isso não diminui a maternidade. Pelo contrário: abre espaço para que mães sofram menos e possam ser acolhidas sem julgamentos.
Você já tinha parado para pensar que o amor também pode ser construído?