08/11/2025
A ciência do afeto, afirma que a rejeição dói como uma ferida difícil de cicatrizar. Isso não é apenas uma metáfora, é um fato biológico que ressalta o quanto o afeto é fundamental ao longo do desenvolvimento humano.
Quando a criança enfrenta maus tratos e rejeição dos seus cuidadores, ou dos seus colegas de escola, a dor psíquica que ela sente é semelhante a uma dor aguda no corpo.
Áreas como o hipocampo, amigdala e córtex pré-frontal, responsáveis pela memória, detecção de perigo, controle dos impulsos, sofrem alterações no funcionamento, fazendo com que o mundo seja percebido como algo ameaçador e incapaz de acolher o indivíduo, o que acarreta na sensação de vergonha e rejeição.
O córtex cingulado anterior dorsal, é a área cerebral responsável pelo processamento da dor, seja ela física (como prender o dedo na porta) ou social( como a rejeição mencionada anteriormente). Também temos uma área chamada de Ínsula Anterior, relacionada à percepção e consciência dos estados corporais (viscerocidade, batimentos cardíacos, etc.)
No trauma infantil, essas áreas são excessivamente ativadas ou desreguladas. O cérebro da pessoa traumatizada é “treinado” para permanecer em estado de hiperalerta, gerando hipervigilância e tensão crônica, a menor percepção de desaprovação alheia o que pode culminar com dores corporais.
Em suma, o trauma infantil afeta a arquitetura cerebral de maneira que o sistema de estresse nunca se desliga completamente, transformando a dor emocional em uma experiência corporal real.
E para que esse texto? Para alertar que brincadeiras, comentários, punições por silêncio, repreensões sem direito ao reparo, podem doer tanto quanto castigos físicos.
É isso, não é frescura.