13/05/2026
Acreditamos por tanto tempo no mito da mulher que dá conta de tudo sozinha, que começamos a confundir exaustão com força. A sociedade nos ensinou a carregar o mundo nos ombros em silêncio, a transformar sobrecarga em virtude, independência em isolamento e resistência em obrigação. Aprendemos a seguir sem pedir ajuda, sem descansar, sem dividir. E, pouco a pouco, fomos nos afastando de algo essencial: da convivência, da confluência, da cooperação entre mulheres.
Hoje, muitas mulheres vivem cercadas de gente, mas profundamente sozinhas. Somos atravessadas diariamente por cobranças impossíveis. O resultado muitas gerações de mulheres cansadas, desconectadas de si mesma e uma das outras. Nos ensinaram a competir entre nós. A desconfiar. A comparar nossas trajetórias. A acreditar que existe escassez de espaço, amor, reconhecimento e pertencimento.
Quando uma mulher acredita que precisa enfrentar tudo sozinha, ela perde o acesso à potência do encontro. E o encontro transforma. Uma mulher apoiada floresce de maneira diferente. Uma mãe acolhida materna de maneira diferente. Uma mulher escutada atravessa suas dores de maneira diferente.
É preciso uma a uma nos reconectarmos e mudarmos o rumo dessa história.