09/03/2021
Ontem eu tentei escrever, mas não tive forças, não sabia o que escrever.
A cada pausa dos meus afazeres e atividades eu refletia sobre esse dia das mulheres e acompanhava algumas publicações por aqui.
Ao final do dia, em uma das últimas horas antes de dormir eu entendi e finalmente consegui dizer ao meu companheiro:
“Esse dia 08 de março parece um dia triste para mim.”
Sim, ele é um dia para celebrar as conquistas de nossas ancestrais, porém também é um dia que f**a muito mais forte a lembrança do quanto tivemos que gritar, lutar e morrer para chegar até aqui.
(Olha que curioso, o Google docs, onde digito esse texto agora, está sugerindo que eu escrevi errado nossAs ancestrais, que deveria ser nossOs.)
O mundo parece de cabeça para baixo, mas não está, ele simplesmente está se revelando o que realmente é, doa a quem doer.
Agora sim acabou o conto de fadas. Finalmente.
Afinal o que mais vi nos últimos tempos foram os tais príncipes abusarem do seu poder, diminuírem suas princesas para que elas não acreditem mais em si mesmas, apagarem o brilho das mulheres para que não sejam vistas e para que não se destaquem em relação a eles.
O conto de fadas é um conto para os próprios homens que acreditaram que poderiam ser os salvadores e que isso lhes dava o poder de fazer o que quisessem.
Se a princesa se colocou em lugar de vítima em algum momento foi apenas para relembrar o príncipe que ele tinha uma força interior e uma beleza no coração. Ao momento que ele acessa isso, ele não consegue agradecer e reconhecer o movimento de busca pelo equilíbrio na relação.
Os dois, mulher e homem, são fortes e carregam essa beleza no coração. Isso é algo que deveríamos saber, e não precisar ser ensinados.
As notícias que li ontem me fizeram lembrar que ainda há um longo caminho para que esse dia seja somente celebração e não mais uma lembrança de dor profunda. Arrasta para o lado para ver.
As mulheres que atendo normalmente me trazem questões sobre relacionamentos abusivos, falta de coragem para sair de uma relação, a necessidade por realizar um ab**to por não confiar no campanheiro e não querer assumir essa responsabilidade sozinha. [Continua na legenda.]