Anthurium Cultura e Saúde

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Anthurium Cultura e Saúde A Anthurium nasceu da vontade e necessidade de falar de saúde à luz da criação de uma cultura que respeite os ciclos e complexidades da vida. Até o fim.

E por isso nossa construção se ergue sobre os Cuidados Paliativos.

05/10/2026

Luto dói. Isso não é doença, é amor que não tem mais para onde ir.

Mas existe um ponto em que o luto para de se mover. Em que a dor não diminui com o tempo, só aumenta. Em que a pessoa não retoma nenhuma função da vida meses e anos depois. Em que o isolamento vai f**ando mais profundo. Em que aparecem pensamentos de que a vida não vale a pena sem quem foi.

Isso tem nome clínico: transtorno do luto prolongado. Foi incluído como diagnóstico formal no DSM-5-TR em 2022. Não porque luto virou doença mas porque existe um ponto em que o processo natural emperra, e isso tem características reconhecíveis, tem critérios, tem tratamento.

A distinção importa. Luto que segue seu curso (por mais que doa) não precisa de intervenção clínica. Precisa de tempo, de suporte, de espaço para existir. Luto que emperra precisa de ajuda. E a diferença entre os dois não é óbvia para quem está dentro do processo.

A Fabíola Langaro, psicóloga especialista em cuidados paliativos e doutora na área, reconhece essa diferença: sem patologizar o que é normal, sem normalizar o que precisa de cuidado.

Se o tempo está passando mas a dor não, isso não é fraqueza. Não é falta de superação. É um processo que precisa ser acolhido e movido.

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22/09/2026

"A gente deveria ter vindo antes, né?"

É uma das perguntas que a Dra. Lauren mais ouve. E quase sempre a resposta é sim.

Não porque as famílias falharam. Porque ninguém disse quando era a hora.

A evidência é clara: cuidados paliativos deveriam entrar no momento do diagnóstico de uma doença que ameaça a vida. Não quando o tratamento falhou. Não quando o paciente está em fase terminal. No diagnóstico.

Porque o sofrimento pode começar no diagnóstico. A dor, a ansiedade, as perguntas sem resposta, a família desorientada - tudo começa ali. E esperar que isso se acumule por meses antes de oferecer cuidado especializado não é prudência. É negligência não intencional.

Existe um modelo de cuidados simultâneo que é o melhor, afinal, cuidados paliativos e tratamento da doença não são sequenciais, são paralelos. No início o tratamento tem mais peso. Com o tempo, se a doença avança, o cuidado paliativo assume mais espaço. Não como derrota mas como resposta clínica adequada.

Quando cuidados paliativos chegam tarde ainda é possível fazer muito. Mas não é o mesmo que ter tido esse suporte desde o início. Que o paciente ter passado menos tempo sofrendo. Que as decisões difíceis terem sido tomadas com calma e não numa UTI sob crise.

Se você acompanha alguém com diagnóstico grave e ainda não tem acompanhamento paliativo , pense que não é cedo demais. Provavelmente já é a hora.

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17/09/2026

Ela nunca chorava na frente dos filhos.

Quando sentia que ia vir o choro, ia ao banheiro, abria a torneira para abafar o som, chorava, lavava o rosto e voltava. Fazia isso há oito meses.

Não dormia. Quase não comia. Não conseguia terminar uma frase sem perder o fio. Acordava exausta.

Não era coincidência.

Existe um custo fisiológico real de suprimir emoção de forma crônica. Quando o sistema nervoso não consegue processar porque o paciente está constantemente bloqueando a expressão, o eixo do estresse f**a ativado de forma contínua — cortisol elevado, sistema imunológico comprometido, sono fragmentado, cognição prejudicada.

Ser forte para a família não é neutro. Tem preço biológico. E tem preço psicológico: quando toda a energia vai para gerir a emoção dos outros — protegendo os filhos, tranquilizando o cônjuge, sendo o pilar que segura tudo — não sobra energia para processar o próprio sofrimento.

E sofrimento que não é processado não desaparece. Se acumula.

O Demian Bottenberg, psicólogo especialista em psicologia clínica e oncopsicologia da Anthurium, cria um espaço que é exclusivamente do paciente. Onde ele não precisa gerir mais ninguém. Onde pode dizer que está exausto de ser forte sem sentir que está falhando.

Você também pode precisar de cuidado.

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06/09/2026

Sabe aquele prato enorme que se coloca na frente de uma pessoa doente?
A gente sabe que a ideia é ajudar.
É cuidar.
Mas a gente também sabe que isso pode se tornar um grande problema.

Se o paciente não consegue dar conta porque está com náusea, mal estar, dor, sonolência, falta de apetite, problemas dentários, gastrointestinais e tantas coisas que podem impactar o desejo de comer e a aceitação da dieta, virá a frustração e o aumento da rejeição.

Quem é está oferecendo também se frustra. E chega até a ir para a chantagem e a ansiedade: "você tem que comer senão vou ter que te internar!".

Sabemos que a refeição pode ser um momento muito estressante.
Mas ouviu o que a nutricionista Jessica valou no vídeo?
Tem formas de lidar com isso.

Pratos menores, refeições pequenas, alimentos mais palatáveis e em frações, além do ambiente tranquilo e a observação de outros sintomas que impactam o ato de se alimentar.

Para um manejo correto, personalizado e, especialmente, que fale de comida mas também da complexidade ao redor dela, agende sua consulta com a Jessica.

Link na bio.
Presencial em Florianópolis/SC.
Teleatendimento para todo país.

01/09/2026

Ele esperou quarenta minutos de consulta para fazer a pergunta.

No fim disse: "Doutora. Quanto tempo eu tenho?"

Essa não é só uma pergunta sobre prognóstico. É uma pergunta sobre o que fazer com o que resta. Sobre se há tempo para a conversa com o filho com quem não fala há dois anos. Para a viagem que sempre adiou. Para o testamento que nunca foi feito.

E é uma pergunta que a maioria dos médicos desvia. "Vamos torcer para o melhor." "Cada caso é um caso." "Não dá para saber ao certo."

Tudo isso pode ser verdade. E tudo isso pode ser uma forma de não responder.

Existe evidência na literatura médica de que pacientes que recebem informação honesta sobre prognóstico tomam decisões mais alinhadas com o que querem, têm menos ansiedade no fim da vida e menor probabilidade de passar os últimos dias em UTI fazendo procedimentos que não queriam. Informação honesta não tira esperança. Devolve controle.

A Dra. Alice não deu um número naquele dia. Perguntou o que ele queria fazer com o tempo — fosse ele qual fosse.

Ele disse que queria ligar para o filho.

Ela disse que era hora de ligar.

Essa foi a parte mais importante da consulta. E não estava em nenhum protocolo de exame.

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29/08/2026

Tem um sintoma que os pacientes demoram para contar. Porque é constrangedor. Porque acham que não é importante. Porque acham que faz parte do tratamento.

Constipação.

Constipação severa não tratada em pacientes com doença avançada causa dor abdominal que a família atribui à doença progressando. Causa náusea por pressão retroativa. Causa confusão mental em idosos pelo acúmulo de toxinas que deveriam ser eliminadas. Causa agitação e insônia que alguém vai tratar com sedativo sem resolver a causa.

E tem causas muito específ**as nessa população. Opioides causam constipação em praticamente todos os pacientes que os usam — não porque o intestino está doente, mas porque os mesmos receptores que controlam dor estão no intestino e reduzem a motilidade quando ativados. Isso é previsível, esperado — e deveria ser tratado antes de a constipação aparecer, não depois.

Imobilidade, hidratação inadequada, medicamentos constipantes. A combinação em quem toma oito, dez medicamentos é quase inevitável sem manejo ativo.

O Dr. Kauê faz uma pergunta em toda consulta, independente do motivo principal: quando foi a última vez que o paciente evacuou?

Porque constipação que ninguém perguntou é constipação que ninguém vai tratar. E esse sintoma que envergonha é, muitas vezes, o que está sabotando o sono, o apetite e o humor de um paciente que todos acham que está bem controlado.

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20/08/2026

Ela cuidou da mãe por quatro anos. Deixou o emprego. Saiu do apartamento. Cancelou a viagem planejada por dois anos. Depois o curso. Depois parou de sair com as amigas porque sentia culpa quando se divertia.

Quando a mãe morreu, disse: "Eu não sei mais quem eu sou sem ela para cuidar."

O cuidador não perde só a pessoa que morreu. Perde a si mesmo no processo.

Perde a identidade que existia antes do cuidado ocupar tudo. Os relacionamentos que foram f**ando para trás. A versão de si mesmo que tinha planos, que tinha uma vida própria, que sabia o que queria.

E quando o cuidado termina, existe um vazio que a maioria não estava esperando. Esperava sentir alívio, e sente culpa pelo alívio. Esperava chorar a pessoa que perdeu, e chora também a vida que não viveu.

É o luto do cuidador. É um dos lutos mais complexos e menos validados que existem. Porque do lado de fora parece que está tudo resolvido. "Agora você pode retomar sua vida." Mas retomar uma vida suspensa por anos não é simples.

A Fabíola Langaro, psicóloga especialista em cuidados paliativos e doutora na área, trabalha com cuidadores durante o cuidado, não só depois da morte. Porque é durante o cuidado que a perda de si mesmo acontece, silenciosamente, dia após dia.

Se você é cuidador e sente que está desaparecendo dentro desse papel isso merece cuidado também.

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16/08/2026

Depois de três meses de quimioterapia, ele disse:
"Eu não aguento mais. Não vejo sentido em continuar."

E esperou que o Demian dissesse que ia f**ar tudo bem.

Ele não disse. Porque naquele momento, teria diminuído o que estava sendo sentido.

O que ele disse foi: obrigado por me contar isso.

Existe um espectro de sofrimento que vai do esgotamento do tratamento até o desejo ativo de morrer. E todos os pontos desse espectro precisam ser ouvidos com seriedade sem pânico, sem minimização.

Isso tem nome na literatura de cuidados paliativos: sofrimento existencial.
O colapso do sentido - a sensação de que a vida perdeu propósito, que o futuro não tem nada a oferecer.
É uma resposta humana ao que acontece quando uma doença grave destrói os pilares em torno dos quais a pessoa construiu o signif**ado da própria vida.

Trabalhar com isso não é convencer o paciente de que a vida vale a pena com argumentos. É sentar com o que não tem resposta fácil. É ajudar a encontrar, dentro de uma situação que ele não escolheu, algo que ainda seja dele.

Um paciente disse que o único momento do dia em que se sentia ele mesmo era ouvindo um disco de jazz pela manhã. Foi o ponto de partida. Não precisou ser mais do que isso.

Se alguém que você ama está dizendo que não aguenta mais, não minimize, não entre em pânico, não diga que vai f**ar tudo bem. Pergunte. Ouça. E busque ajuda profissional.

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07/08/2026

Quase todo paciente que chega na primeira consulta de cuidados paliativos vem com um medo que não diz em voz alta: o medo de que seja uma confirmação oficial de que acabou.

Não é.

A primeira coisa que os médicos da Anthurium fazem é o que a dra. Lauren explica no vídeo: perguntar como a pessoa está - e esperar a resposta inteira. Porque quase sempre esse paciente está carregando semanas de perguntas que ninguém respondeu, medos que ninguém nomeou, sofrimento que ficou no corredor enquanto a consulta tratava dos exames.

Depois vem a história: como a doença chegou. O que está sendo mais difícil. O que a pessoa ainda consegue fazer. O que ela mais teme perder.

E então a pergunta que a maioria dos médicos nunca faz: o que importa para você como pessoa? O que você quer conseguir fazer nos próximos meses? Onde você quer estar se a situação piorar?

Quando os pacientes são perguntados sobre isso pela primeira vez, acontece algo interessante: a pessoa respira diferente. Como se uma tensão que carregava há meses tivesse encontrado, finalmente, um lugar para pousar.

Primeira consulta de cuidados paliativos não é o fim de nada. Muitas vezes é a primeira vez que alguém senta, tem tempo, e pergunta o que realmente importa.

Se você está adiando porque não sabe o que esperar, agora você sabe.

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02/08/2026

Ela vomitava toda manhã. A família tentou gengibre, chá de erva-doce, bolacha de água e sal antes de levantar. Nada funcionava.

Não porque as tentativas fossem erradas. Porque eram para um tipo de náusea. E ela tinha outro.

Náusea em pacientes com doença grave não é uma coisa só.

Tem náusea por esvaziamento gástrico lento
— o estômago que não move o conteúdo na velocidade normal.
Tem náusea por ativação do centro do vômito no cérebro
— por toxinas, medicamentos, distúrbios metabólicos (que não melhora com gengibre e precisa de antagonistas de receptores específicos).
Tem náusea por constipação severa
— tratar o estômago sem tratar o intestino não resolve. Tem náusea por ansiedade com componente autonômico real.
E tem náusea induzida por opioides
— frequente, esperada, temporária na maioria dos casos e que leva muita gente a abandonar o controle de dor achando que vai f**ar assim para sempre.

Antiemético errado para o mecanismo errado não só não resolve. Às vezes piora.

E náusea não tratada não é só desconforto. É desnutrição, desidratação, isolamento. A pessoa que vomita toda vez que come para de comer em companhia. Vai perdendo os momentos que ainda seriam possíveis.

Náusea que ninguém tratou direito rouba presença.

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