20/08/2026
Envelhecimento e prevenção.
A saúde cerebral é construída ao longo da vida.
As diretrizes da Organização Mundial da Saúde de 2026 sobre redução de risco de declínio cognitivo e demência reforçam que parte importante desse risco está associada a fatores potencialmente modificáveis.
A Lancet Commission de 2024 também discute 14 fatores de risco modificáveis para demência ao longo do curso de vida. Entre eles, alguns dialogam de forma muito próxima com a neuropsicologia e com a saúde do idoso: depressão, isolamento social, traumatismo cranioencefálico, inatividade física e aspectos relacionados à escolaridade e à estimulação cognitiva ao longo da vida.
Esses fatores podem influenciar memória, atenção, linguagem, funcionamento executivo, autonomia, participação social, humor, rotina e qualidade de vida.
Outros fatores clínicos e ambientais, como hipertensão, diabetes, obesidade, LDL elevado, tabagismo, uso nocivo de álcool e poluição do ar, também compõem esse panorama, reforçando que a saúde cerebral não depende de um único aspecto.
Falar em prevenção não significa afirmar que todos os casos podem ser evitados, nem responsabilizar individualmente quem adoece.
Significa reconhecer que o envelhecimento cerebral é influenciado por uma interação complexa entre corpo, cognição, emoções, vínculos, ambiente, condições clínicas, acesso à saúde e história de vida.
Na neuropsicologia, esse olhar é essencial: avaliar memória e cognição não é apenas investigar déficits, mas compreender funcionalidade, autonomia, fatores de risco, recursos preservados e possibilidades de cuidado ao longo do tempo.
Referências: World Health Organization. Risk reduction of cognitive decline and dementia: WHO guidelines, 2nd edition. 2026. Livingston, G. et al. Dementia prevention, intervention, and care: 2024 report of the Lancet standing Commission. The Lancet, 2024.
Izolene Corrêa Veloso
Psicóloga | Neuropsicóloga
CRP/SC 12/16324