27/09/2026
A afetividade é como uma gasolina, ela dá energia mas não modifica a estrutura do carro.
Li essa metáfora coincidentemente quando estava fazendo um pic-nic sozinha na lagoa.
Entrei na reflexão sobre o entusiasmo de fazer uma refeição solitária. De onde pode vir a energia, essa gasolina, para se entusiasmar para preparar uma comida saudável para comer sozinha?
Conectando com a ideia de que o afeto é uma energia necessária pra ação, mas que não modifica a estrutura, me peguei pensando no entusiasmo do autocuidado de organizar uma refeição e sair de casa para apreciar X o comer emocional negativo e culposo por buscar esse afeto que precisava na comida.
Para que se tenha afeto é necessário combustível.
Assim como para se ter combustível, energia para seguir a vida, é preciso afeto.
Fui além, e pensei na vida das parceiras e mães que gostam de cozinhar ou ao menos executam o preparado da comida para os outros. Para elas, muitas vezes um lanche é o que der tempo…
Contudo, quando pensamos que é necessário ter energia para o afeto, num tempo curto durante a correria do dia, essa união otimizada é necessária = comida pela fome + afeto para essa energia de seguir a vida, de prosseguir o cuidado (de si e do outro).
Diariamente construo o espaço de dialogar e questionar os saberes racionais X saberes emocionais. Ou seja, os aprendizados de dieta contra o comer emocional como termômetro dessa necessidade de energia afetiva.
Não é possível comida sem afeto.
Por isso, o comer emocional faz parte da experiência viva de comer.
Comeremos enquanto estivermos vivos.
Comida é afeto, é cuidado, não combina com culpa.
E então, como é possível culpa no próprio afeto?
Um abraço apertado em quem tem uma relação complicada com a comida. Leia, releia, me peça referências para aprofundar nessa reflexão e depois sinta o coração transbordando quando a culpa sair da mesa.
Fernanda Rech Rodrigues
Nutricionista
CRN 10 5523