11/05/2026
Dos muitos ritos que uma mulher pode atravessar ao longo da vida, a maternidade talvez seja um dos mais profundos e também um dos mais subestimados.
Porque, durante muito tempo, ela foi apresentada apenas como uma etapa esperada da vida feminina. Quase um destino ou um papel a ser cumprido no checklist silencioso da vida adulta.
A maternidade não transforma apenas a rotina.
Ela transforma a identidade da mulher.
Ela muda a forma como a mulher sente, ama, percebe o tempo, ocupa o próprio corpo e se relaciona consigo mesma.
E talvez a grande intensidade da maternidade esteja justamente nisso: não existe atravessar esse portal sem ser profundamente modif**ada por ele.
Porque enquanto uma vida chega, outra versão da mulher começa enquanto a antiga deixa de existir.
Como coexistir com todos os papéis que continuam vivos?
A mulher.
A profissional.
A parceira.
A filha.
A amiga.
Como reconhecer a si mesma dentro de uma realidade interna completamente nova?
Talvez seja por isso que tantas mulheres sintam que se perderam de si depois da maternidade, quando, na verdade, estão tentando compreender quem estão se tornando agora.
E não há nada de errado nisso.
A maternidade não foi feita para deixar uma mulher intacta. Ela foi feita para transformá-la.
Talvez o que tenha faltado, culturalmente, não tenha sido ensinar mulheres a serem mães, mas ampará-las na mulher que surge depois desse atravessamento.
Porque toda grande transformação precisa de tempo, de espaço e de acolhimento.
Existe um novo território interno que nasce junto com a maternidade e, cada mulher precisará descobrir, no próprio ritmo, como habitar esse lugar.
E hoje, desejo um Feliz Dia das Mães para todas as mulheres que atravessaram essa experiência transformadora seja pela gestação, pelo vínculo, pelo encontro, pelo amor construído no cuidado cotidiano.
(Essa sou eu quando atravessei o meu portal e quando também fui portal para que meu filho chegasse ao mundo)