31/08/2026
Hoje é Dia do Nutricionista. Mas antes de qualquer diploma, eu fui uma menina de 23 anos deitada, com os pés elevados por tijolos na base da cama — a chamada posição de Trendelenburg, usada para deixar a gravidade ajudar a manter a gestação e evitar que o parto começasse antes da hora.
Era para eu ter me formado em 2010. Era vice-presidente da comissão de formatura, correndo atrás de festa, de verba, de sonho. E no último ano da faculdade, descobri que ia ser mãe.
Por um tempo, deu para sonhar os dois sonhos juntos. Até um estresse muito grande transformar minha gestação em alto risco, da noite para o dia.
Voltei para perto dos meus pais, em Foz do Iguaçu, porque precisava de colo e de cuidados.
Três meses de repouso absoluto depois, a faculdade permitiu algo que ainda não existia naquela época: aula domiciliar, numa época em que “ensino online” nem era uma palavra. Meu TCC, que eu estava fazendo para tirar dez, virou um TCC para tirar sete. E eu fiz as pazes com isso. Porque continuar respirando, e continuar gerando meu filho, já era a maior nota que eu podia tirar naquele ano.
A gestação seguiu até a data certa. Meu filho nasceu. E com apenas 30 dias de vida dele, voltamos — eu e ele, sozinhos — para Guarapuava, para eu terminar meus estágios. Porque se eu perdesse mais tempo, perderia o ano inteiro de faculdade. Uma mulher de 23 anos, sozinha, com um recém-nascido no colo, indo atrás do que tinha começado.
Foi ali que Deus começou a reescrever, nos mínimos detalhes, uma história que parecia impossível. E foi ali também que entendi que meu primeiro ministério — antes de qualquer diploma ou consultório — seria meu lar, minha família.
Hoje, vendo meu filho enfrentando suas próprias decisões e seus próprios sonhos, entendo ainda mais o sentido de cada escolha que fiz naquele momento.
Anos depois, passei em concursos públicos — inclusive o da Prefeitura de Guarapuava, em 2015, como nutricionista. E abri mão de todos eles. Não porque a estabilidade não valesse nada, mas porque eu já sabia, com uma certeza que só quem passa pelo que eu passei consegue ter, qual caminho eu queria trilhar na minha profissão.
Continuo nos comentários…