02/09/2026
Recentemente estive no 1º Congresso de Pediatria HC-UFPR em Curitiba e claro que o tema: Telas também esteve presente.
Eu como pediatra, e também como pai, trago este tema tão importante.
Tela em excesso é como fast food para o cérebro da criança (diga-se de passagem, não só para as crianças, para nós adultos também!): oferece estímulo rápido e prazer imediato, mas não entrega aquilo que o cérebro em desenvolvimento realmente precisa para crescer bem.
Mas para as crianças, isso é muito mais impactante, pois nos primeiros anos de vida, o cérebro aprende principalmente por meio da experiência: é olhando para o rosto de alguém, ouvindo uma conversa, tocando diferentes objetos, correndo, caindo, levantando, br**cando de faz de conta, esperando sua vez e tentando resolver pequenos problemas.
É assim que se desenvolvem linguagem, atenção, coordenação motora, memória, criatividade e habilidades sociais.
O problema do excesso de telas não está em um desenho ocasional ou em alguns minutos de entretenimento. A preocupação aparece quando a tela começa a ocupar o espaço que deveria ser preenchido por sono, movimento, br**cadeira, conversa e convivência.
Uma criança que passa muitas horas diante de estímulos rápidos pode ter mais dificuldade para se interessar por atividades que exigem tempo, espera e participação ativa. Também pode dormir pior, movimentar-se menos e ter menos oportunidades de interação com outras pessoas.
Na tela, a criança recebe estímulos prontos, já na br**cadeira, ela precisa imaginar, criar, decidir, negociar e experimentar.
Porque cérebro infantil não se desenvolve apenas recebendo estímulos, ele precisa viver experiências.
E nenhuma tecnologia substitui aquilo que uma criança aprende quando br**ca, conversa, se movimenta e descobre o mundo com as próprias mãos.
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