19/05/2026
Maio Laranja: o conhecimento protege, a escuta salva, o silêncio nunca é a solução
Em palestra no Hospital Frei Gabriel, a educadora Leila Chaves, especialista em educação sexual e prevenção ao abuso infantil, trouxe um alerta urgente: a violência sexual contra crianças e adolescentes acontece dentro de casa e nas telas de celular.
Desde os primeiros anos de vida, o respeito ao corpo deve ser ensinado. “Ao trocar a fralda, peça licença, seja rápido, permita apenas pessoas de confiança façam essa ação”, orienta.
Para crianças, Leila oferece oficinas lúdicas nas quais ensina autoproteção. “Quando a criança fala do que sente, torna-se menos vulnerável”, garante.
Já os adolescentes, segundo ela, estão tristes e não se sentem pertencendo nem mesmo ao núcleo familiar, tornando-se alvos fáceis de predadores virtuais — criminosos que oferecem acolhimento e, em seguida, impõem desafios macabros.
O assédio presencial também foi denunciado: jovens assediadas por chefes, que começam com elogios insinuadores e evoluem para beijos forçados e violência.
Entre os erros dos responsáveis, Leila destaca a falta de informação: “Dar um celular a uma criança é como dar uma arma e largá-la sozinha na Avenida Paulista”.
Ela também ressalta alguns sinais de alerta como irritabilidade, regressão (voltar a fazer xixi na cama), terror noturno, queda no rendimento escolar e mudanças bruscas de comportamento.
Em Frutal, os números são alarmantes: alta taxa de gravidez na adolescência e violações de direitos. A especialista relata o caso de um bebê passando fome, de uma adolescente que precisou retirar o útero após ab**to clandestino e de outra jovem grávida que não sabia o nome da própria rua.
A violência sexual não escolhe classe social, idade ou cor. Mas o silêncio, esse sim, escolhe sempre a mesma vítima — até que alguém resolva gritar por ela. Atitudes simples no dia a dia podem salvar vida, o silêncio não.