20/05/2026
Hoje quero dividir aqui um pedaço da minha história, levei anos para falar sobre isso publicamente…
Em 2019 eu recebi um diagnóstico: retocolite ulcerativa. Mas o caminho até esse nome começou bem antes. Foram quase 2 anos passando mal, com sangramentos intestinais, dores e sintomas que ninguém conseguia explicar, até que me indicaram um gastroenterologista que enxergou o que tantos outros não tinham enxergado.
Eu tinha 21 anos, recém-formada, começando a vida adulta de verdade. E de repente o meu corpo me obrigou a parar. Eu ia ao banheiro 15, 20 vezes por dia. Emagreci 10kg em menos de um mês. Vivia pálida, sem energia, evitando sair de casa e quando saía, ficava pouco tempo porque passava mal. Minha vida social praticamente desapareceu e o trabalho ficou pesado demais de carregar.
Vieram as colonoscopias a cada 6 meses, os exames de sangue contínuos, a calprotectina. Vitamina D e B12 lá embaixo. E junto com o corpo adoecendo, a mente também: comecei a ter sintomas depressivos, crises de pânico, precisei de medicação para ansiedade e iniciei acompanhamento psicológico. Foi um dos períodos mais difíceis que já vivi.
A virada não veio de um único momento, mas de um conjunto de cuidados: encontrar a dose da medicação certa pra mim, repor vitaminas, voltar a me movimentar, reencontrar a dança e cuidar da minha saúde mental com a mesma atenção que cuidava do intestino. Hoje convivo com intolerância à lactose e alergia a mamão, então são alimentos que evito. Fora isso, tenho uma alimentação normal, respeitando o que faz bem para o meu corpo.
A retocolite tem altos e baixos. Já passei por 4 crises, mas estou há 2 anos em remissão, sem sintomas fortes, e isso só foi possível com tratamento adequado, ajuste de dose de medicação, ajustes alimentares e acompanhamento médico contínuo. Se você está passando por isso agora, saiba: melhora. Não é rápido e nem linear, mas alivia. 💜
Obrigada Brasil por abrir esse espaço de conscientização. Quanto mais a gente conversa sobre as DIIs, menos pessoas precisam passar anos sem diagnóstico, como eu passei. 💜