18/04/2018
CRIOTENS FUNCIONA OU NÃO?
Em um ensaio clinico controlado e randomizado Macedo, L et al 2015 (Physiotherapy) avaliaram o efeito imediato da TENS convencional e Burts em combinação com a crioterapia no limiar e tolerância à dor em 106 mulheres saudáveis.
Os voluntários foram alocados aleatoriamente em sete grupos (n = 16): (1) controle, (2) TENS placebo, (3) TENS convencional, (4) TENS burst, (5) crioterapia, (6) crioterapia + TENS burst e (7) crioterapia + TENS convencional. O limiar e a tolerância à dor foram medidos aplicando-se um algômetro de pressão no epicôndilo lateral do úmero, antes e após cada intervenção.
Os resultados suportam o uso de crioterapia em combinação com TENS burts para reduzir a dor induzida e sugerem um efeito potencializador quando estas técnicas são combinadas. Nenhuma associação foi encontrada entre a crioterapia e a TENS convencional.
Mas porque tem estudos que mostram que a “criotens” não funciona?
Esses estudos utilizaram a Tens convencional, e esse tipo de técnica utiliza como efeito fisiologico a teoria das comportas da dor, ativação da fibras de grosso calibre (tipo A) para inibição das fibras da dor (tipo C). Não funciona porque quando utiliza-se o gelo há diminuição de cerca de 30% da velocidade de condução nervosa.
O mecanismo mais amplamente aceito para produzir analgesia usando a TENS Burts é a liberação de opioides endógenos. Contração muscular rítmica causada pela despolarização de fibras nervosas motoras usando eletroestimulação promovendo excitação neuronal na substância cinzenta periaquedutal e na medula ventro-medial rostral, com a conseqüente liberação de endorfinas e encefalinas.
O gelo não impede a ação da TENS burts na despolarização fibras nervosas motoras para produzir contração muscular, promovendo assim analgesia pela liberação de opioides endógenos.
OBS: Na minha prática clinica utilizo a criotens tanto no modo burts quanto na breve intensa, o burts utilizo mais quando quero analgesia em partes musculares e o breve intensa utilizo em articulações, pois esta pode gerar fadiga muscular.
http://dx.doi.org/10.1016/j.physio.2014.07.004.