25/07/2026
CARTA ABERTA
de um bipolar para outros bipolares, colegas, familiares, curiosos;
Escrevo essa carta não porque seja fácil, mas porque é necessário.
Existem coisas que eu nunca soube dizer em voz alta. Não por falta de amor, mas porque às vezes o que mora dentro de mim pesa demais para sair.
Eu sei que, muitas vezes, vocês não me reconhecem.
Tem dias em que estou presente, rindo, tentando ser leve.
Em outros, eu me recolho, me silencio, me afasto... e isso pode parecer frieza, desinteresse ou até ingratidão.
Mas, por favor, acreditem: não é falta de amor.
Viver com transtorno bipolar é acordar sem saber exatamente quem eu vou encontrar dentro de mim.
É lutar para manter o equilíbrio enquanto tudo oscila por dentro.
É sorrir por fora quando, por dentro, estou exausta de tentar me manter de pé.
Peço perdão pelos dias em que fui difícil.
Pelos momentos em que minhas palavras machucaram.
Pelos silêncios longos.
Pelas vezes em que precisei me afastar para não desmoronar na frente de vocês.
Nada disso foi para ferir.
Foi sobrevivência.
O que mais dói não é a doença em si..
É sentir que preciso provar o tempo todo que não estou exagerando, que não é drama, que não é
“frescura”.
É precisar de compreensão e ouvir julgamento.
Eu não escolhi ser assim.
Mas todos os dias eu escolho lutar.
Escolho o tratamento.
Escolho continuar, mesmo quando tudo em mim pede para desistir.
Todos os dias eu luto contra mim mesma, fico o tempo todo em alerta, tensão para reconhecer qualquer tipo de sinal diferente. Tentando identificar que são os meus próprios sentimentos ou um sinal de sintoma.
O que eu mais preciso de vocês não é solução, nem respostas prontas.
E paciência.
E escuta.
E presença sem cobrança.
E saber que posso ser vulnerável sem ser vista
como um peso.
Se um dia eu me calar, por favor, não pensem que eu deixei de amar.
As vezes, o silêncio é o único lugar onde a dor não faz tanto barulho.
Eu amo vocês.
Mesmo nos meus dias em que eu não consigo demonstrar.
Mesmo nos dias que falho, que a irritabilidade toma conta, a falta de paciência, a raiva sem sentido, a impulsividade vem.
MEU TRANSTORNO NÃO ME TORNA MENOS PROFISSIONAL, ME TORNA AINDA MAIS EMPÁTICA E ACOLHEDORA.