27/05/2026
O tramadol é um medicamento utilizado há muitos anos no controle de dores moderadas a intensas. Durante muito tempo, foi considerado uma alternativa “menos potente” entre os opioides, o que contribuiu para sua ampla prescrição em diferentes condições dolorosas.
Entretanto, evidências científicas mais recentes vêm demonstrando que seus benefícios na dor crônica podem ser mais restritos do que se acreditava, principalmente em casos como a fibromialgia.
🔬 Estudos e revisões científicas apontam que:
• o efeito analgésico pode variar bastante entre os pacientes ou ser insuficiente em alguns casos
• o corpo pode desenvolver adaptação ao medicamento, diminuindo sua eficácia com o passar do tempo
• efeitos adversos como náuseas, tontura, sonolência e confusão mental podem ocorrer
• existe risco de dependência e sintomas de abstinência, especialmente em usos prolongados
Além disso, a fibromialgia está relacionada a alterações no processamento da dor pelo sistema nervoso central, o que faz com que determinados medicamentos não atuem diretamente nos mecanismos responsáveis pela manutenção da dor.
Por esse motivo, diretrizes atuais reforçam que o manejo da dor crônica deve ser individualizado e multidisciplinar, podendo envolver:
✔️ educação em dor
✔️ prática orientada de atividade física
✔️ reabilitação
✔️ melhora da qualidade do sono
✔️ controle do estresse
✔️ acompanhamento multiprofissional
✔️ uso consciente e criterioso de medicamentos
Isso não significa que medicamentos não possam ser utilizados, mas sim que sua indicação deve ocorrer com acompanhamento médico, considerando sempre os benefícios e os riscos para cada paciente.
Informação baseada em ciência também faz parte do cuidado. Agende sua consulta no link da BIO.
📚 Referências científicas
• Häuser W. et al. International Journal of Clinical Practice (2020) – revisão sobre tramadol na fibromialgia
• Pain Reports – revisões sobre tratamento farmacológico da fibromialgia
• BMJ Evidence-Based Medicine – análises sobre eficácia de opioides na dor crônica