19/07/2026
Existem experiências espirituais que não terminam quando a viagem acaba.
Toda vez que participo de uma jornada espiritual intensa, passo por um período de aproximadamente um mês de profunda ressignificação. É como se algo dentro de mim precisasse reorganizar tudo o que foi vivido. E, desta vez, não foi diferente.
Quando voltei do Peru, assim que pisei no Brasil, meu corpo começou a dar sinais. Meus hormônios ficaram completamente desregulados, vieram a ansiedade, a insônia, a sensação de cabeça pesada e um emocional extremamente abalado.
Foi um dos períodos mais desafiadores que já vivi.
Dentro da minha percepção espiritual, esse estado também me deixou mais vulnerável energeticamente, e senti que precisava iniciar um processo de cura com urgência.
Procurei minhas terapeutas e comecei a olhar para tudo o que estava acontecendo.
Durante esse processo, uma compreensão muito profunda surgiu.
No Peru, especialmente diante da Montanha Colorida, fiz uma oração sincera pedindo cura para todas as mulheres da minha ancestralidade que viveram sofrimento, medo, abandono e tantas dores silenciadas.
Depois, durante meu próprio processo, tive a sensação de entrar em contato com essas dores de uma forma muito intensa. Foi como se eu as sentisse atravessando meu corpo para que pudessem ser reconhecidas e transformadas.
Não afirmo que essa seja a experiência de todas as pessoas. Essa foi a minha vivência, a forma como o meu coração compreendeu tudo o que aconteceu.
Hoje entendo que curar não é apenas sentir paz. Às vezes, a cura nos leva primeiro ao encontro daquilo que esteve escondido por gerações.
E talvez a maior coragem seja justamente essa: permitir que a dor seja vista para que ela não precise mais ser repetida.
Hoje ainda estou em processo de cura.
E, pela primeira vez, compreendo que a cura não acontece quando tudo deixa de doer, mas quando passamos a enxergar a dor com um novo olhar e permitimos que ela nos transforme.
Sigo caminhando... mais consciente, mais forte e mais conectada com quem realmente sou.