10/09/2026
O que nos tornamos quando o nosso papel se encerra?
Por muito tempo, podemos acreditar que somos aquilo que fazemos pelos outros.
A mãe que cuida.
O parceiro que sustenta.
A profissional que resolve.
A pessoa que está sempre disponível.
Aquela que precisa ser forte.
E, enquanto esse papel existe, sentimos que temos um lugar.
Mas o que acontece quando ele termina?
Quando os filhos crescem, quando um relacionamento acaba, quando deixamos um trabalho, quando alguém já não precisa mais de nós?
Às vezes, o que dói não é apenas a perda daquela função.
É o encontro com uma pergunta que ficou adiada:
“Quem sou eu quando não preciso mais ser aquilo que esperavam de mim?”
Na perspectiva psicanalítica, os papéis que ocupamos podem se entrelaçar profundamente à nossa identidade e às nossas formas de desejar e de nos relacionar. Por isso, perder um papel pode provocar uma sensação de vazio, como se uma parte de nós também tivesse desaparecido.
Mas talvez o fim de um papel não seja o fim de quem somos.
Talvez seja o momento em que aquilo que fomos para o outro deixa de ocupar todo o espaço — e surge a possibilidade de descobrir quem podemos ser para nós mesmos.
Porque existe uma diferença entre ter um lugar na vida de alguém e existir apenas a partir desse lugar.
Quando o papel se encerra, pode começar uma travessia:
não para voltar a ser quem éramos,
mas para descobrir quem ainda podemos nos tornar.
🌸 Flor de Lótus – Espaço Terapêutico