Psicanalista Claudemir Arruda Filho

Psicanalista Claudemir Arruda Filho Psicanálise Clínica/Terapia Sistêmica Estrutural/ Atendimento presencial e On-line.

Existe uma ilusão bastante comum de que o inconsciente é um lugar escondido dentro de nós, um baú trancado esperando par...
05/09/2026

Existe uma ilusão bastante comum de que o inconsciente é um lugar escondido dentro de nós, um baú trancado esperando para ser aberto com a chave certa. A prática psicanalítica nos mostra algo bem diferente, o inconsciente não é um lugar, é um acontecimento.

Como bem pontua a provocação sobre a clínica contemporânea, o inconsciente é uma hipótese que ganha vida no espaço entre o paciente e o analista. Ele é justamente aquilo que escapa ao controle da razão, o lapso, a contradição, o ato falho, o sonho, o "irregular" que rompe a lógica bem amarrada da nossa consciência.

E por ser um acontecimento, ele não segue agenda!

⚜️Não tem hora marcada: Pode emergir nos primeiros 60 segundos de fala, no último suspiro da sessão ou simplesmente não dar as caras naquele dia.

⚜️Não depende da frequência: Ele se faz presente na intensidade do dizer, quer a análise aconteça uma ou três vezes por semana.

⚜️Não depende do meio: A escuta analítica e a transferência ultrapassam barreiras físicas. Onde há palavra e escuta, seja no divã presencial ou pela tela do Zoom, há espaço para o sujeito do inconsciente emergir.

Fazer análise não é sobre domar a mente ou buscar respostas prontas, mas sobre sustentar a coragem de escutar o que surge quando a lógica habitual falha. É no imprevisto que a gente se descobre.

A psicanálise começa justamente onde a expectativa de uma solução rápida encontra um impasse.Nem todo paciente é um anal...
05/08/2026

A psicanálise começa justamente onde a expectativa de uma solução rápida encontra um impasse.

Nem todo paciente é um analisante. E nem toda escuta clínica é uma análise.

Há uma passagem entre esses lugares, mas ela não acontece por decisão, nem pelo simples fato de alguém procurar atendimento. Ela se produz quando a demanda por alívio deixa de buscar apenas uma resposta e se transforma em uma pergunta: o que há de meu desejo implicado no meu sofrimento?

É nesse ponto que a transferência ganha seu verdadeiro estatuto. O analista não oferece respostas prontas, nem conduz o sujeito por um caminho previamente traçado. Seu trabalho consiste em sustentar um espaço onde uma nova palavra possa emergir.

A psicanálise não se reduz a uma técnica terapêutica. Ela é uma experiência ética, na qual o sujeito é convocado a encontrar um modo singular de se relacionar com seu desejo inconsciente.

No fim, talvez a maior transformação não seja a eliminação do sofrimento, mas a possibilidade de construir uma nova maneira de dizer de si, de habitar a própria história e de existir.

Como Freud nos ensinou sobre a responsabilidade subjetiva, a análise não é sobre encontrar culpados, mas sobre entender ...
22/07/2026

Como Freud nos ensinou sobre a responsabilidade subjetiva, a análise não é sobre encontrar culpados, mas sobre entender a nossa própria implicação nas situações que nos fazem sofrer…

E paramos de perguntar "Por que isso acontece comigo?" e começarmos a perguntar: "O que eu estou fazendo para que isso continue acontecendo comigo?".

“Che Vuoi?”O silêncio na clínica psicanalítica nunca é apenas a ausência de palavras, ele é preenchido por tudo aquilo q...
23/06/2026

“Che Vuoi?”

O silêncio na clínica psicanalítica nunca é apenas a ausência de palavras, ele é preenchido por tudo aquilo que não encontra canal para ser dito. Quando uma dor, um trauma ou um desejo profundo são interditados. Seja pelo medo, pela culpa ou pelas barreiras do próprio inconsciente, essa energia psíquica não desaparece. Ela busca outra via de escoamento.
E, com frequência, o destino escolhido é o corpo.
É por meio do sintoma somático que o não dito insiste em se fazer ouvir. Uma garganta que aperta, uma estafa inexplicável, dores crônicas ou crises de ansiedade que paralisam são, na verdade, a linguagem do inconsciente cifrada na carne. O corpo herda o peso do que a boca cala, transformando o sofrimento psíquico em manifestação física.

Na vida prática, os efeitos dessa mudez forçada aparecem nos impasses que se repetem: escolhas profissionais saboteadas, relacionamentos que terminam sempre pelo mesmo motivo ou uma sensação persistente de inadequação. Sem a palavra para dar contorno ao que se sente, a pessoa f**a presa a padrões automáticos, atuando na realidade aquilo que não consegue elaborar mentalmente. Falar, no espaço analítico, é justamente começar a desatar esses nós, permitindo que o corpo descanse e a vida volte a fluir.

08/06/2026
Nem todo problema é um sintoma!E nem todo sintoma é, de fato, um problema.No tratamento psicanalítico, especialmente a p...
20/03/2026

Nem todo problema é um sintoma!

E nem todo sintoma é, de fato, um problema.
No tratamento psicanalítico, especialmente a partir de
S. Ferenczi, o sintoma pode ser compreendido como uma tentativa do sujeito de se organizar diante de algo que excede sua capacidade de elaboração. Ele não surge por acaso, é uma resposta possível.
Muitas vezes, aquilo que aparece como sofrimento é também uma solução. Uma forma encontrada, ainda que precária, de sustentar a própria existência psíquica, de dar algum contorno ao indizível.
Há um hábito comum de pensar o sintoma como algo a ser eliminado. Mas, ao fazer isso, corre-se o risco de silenciar justamente aquilo que está tentando se
expressar.
O sintoma é linguagem. É marca de um processo. É o ponto onde algo da história insiste em falar.
Antes de ser removido, ele precisa ser escutado.
Talvez, mais do que um obstáculo, o sintoma seja um passo anterior na direção de uma possível transformação...

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Rua: Feliciano Bortolini, N:1640, Edifício Addagio
Jaraguá Do Sul, SC

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