24/05/2026
Ana trouxe uma dúvida do grupo de WhatsApp. E ela não é a única.
O EEG aparece muito nesses grupos como exame “obrigatório” para crianças autistas. Mas essa informação está errada em dois sentidos.
Primeiro: o EEG não faz parte da investigação diagnóstica do autismo. O diagnóstico de TEA é clínico, baseado nos critérios do DSM-5-TR, a partir da história do desenvolvimento e da observação do comportamento. Nenhum exame confirma ou descarta autismo.
Segundo: o EEG também não é recomendado como rastreamento de rotina para epilepsia em crianças autistas. É verdade que anormalidades eletroencefalográficas são mais frequentes nessa população, o que reflete que a epilepsia pode ser uma comorbidade do TEA. Mas a presença de uma alteração no exame, sem crise clínica, não tem benefício terapêutico comprovado. Tratar uma alteração no papel sem sintoma não melhora o autismo nem previne crises, sem contar os efeitos adversos que podem advir de uma medicação anticonvulsante desnecessária.
O EEG tem indicação precisa: suspeita clínica de epilepsia, como convulsões, perda de consciência e episódios motores atípicos.
E aqui vai uma orientação que dou no dia a dia do consultório e nas consultas por telemedicina: se a criança tiver um episódio que pareça convulsivo, filme pelo celular. Um vídeo de 30 segundos, junto com a descrição do evento, pode fazer toda a diferença na decisão de pedir ou não o EEG.
Nunca é demais lembrar que informação de grupo de WhatsApp não substitui avaliação médica.
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