09/06/2026
Se existe uma condição clínica que foi normalizada ao longo dos anos, ela se chama constipação (prisão de ventre).
Por ser extremamente comum, especialmente entre as mulheres, muitas pessoas acreditam que ficar dias sem evacuar é algo normal. Mas é importante entender: comum e normal são coisas completamente diferentes.
A constipação é um sintoma e, como todo sintoma, merece investigação. Ela pode indicar alterações mecânicas, hormonais, neurológicas, metabólicas ou problemas relacionados à alimentação, microbiota intestinal e estilo de vida. O mais importante não é apenas fazer o intestino funcionar, mas descobrir por que ele não está funcionando adequadamente.
Embora muitas vezes pareça um problema "simples" ou "inofensivo", a constipação pode trazer diversas consequências. Entre elas estão gases, estufamento abdominal, dor, hemorroidas, fissuras anais e alterações da microbiota intestinal. Estudos também sugerem que o trânsito intestinal lento pode favorecer desequilíbrios intestinais que impactam a saúde digestiva, metabólica e imunológica.
Na prática clínica, pessoas constipadas frequentemente apresentam mais dificuldade para emagrecer, recuperar-se de processos inflamatórios e infecciosos e manter o adequado metabolismo e eliminação de hormônios, como o estradiol.
Por isso, prisão de ventre não deve ser romantizada ou encarada como algo normal apenas porque é frequente. Constipação é um sintoma. E sintomas existem para mostrar que algo precisa de atenção.