12/10/2026
Se eu pudesse encontrar a criança que eu fui, a primeira coisa que eu diria seria:
"Nunca deixe de ser você."
Eu sonhava em ser padre, sonhava em ser médico. Eu queria ser alguém que ajudasse as pessoas de alguma forma. Eu acreditava nas pessoas e o quanto elas eram boas. Eu queria ser alguém que pudesse fazer algo pelo próximo. Eu era ingênuo.
Acho que a minha versão criança ficaria surpresa em saber que nada naquilo ela conseguiria ser. Não porque não pudesse. Mas porque as coisas mudam. As pessoas mudam. A gente cresce e vê que os sonhos e desejos dos adultos são diferentes. Perdemos a inocência. A gente deixa de ser ingênuo. Mas a minha essência ainda é a mesma. Só não consegui ser o que eu queria. Tive que me adaptar.
Se eu pudesse me encontrar quando eu era criança, acho que eu diria: "não desiste". Hoje não sou padre, não sou médico, mas o que me tornei é meio que um pouco de tudo o que eu queria. Estou na área da saúde, mas também estou na área artística, e me tornei uma forma de conselheiro espiritual. 😂
Eu me adaptei e hoje até ajudo pessoas com a tatuagem. Recupero a autoestima das pessoas reconstruindo auréolas, em mulheres que sofreram com o câncer de mama.
Ajudo as pessoas como e com o que eu posso.
A tatuagem, o mundo da tattoo me trouxe isso.
Não consegui ser o que eu queria ser quando era criança, mas achei um jeito de ser o mais próximo disso com o que o destino me trouxe. Com o que me tornei.
E quem sabe o que ainda virá?
Talvez, algum dia, eu ainda volte a ser aquela criança, sonhadora e ingênua.