16/05/2025
O trono da sabedoria
(História de boca contada por aqui)
Orunmilá empregou uma longa viagem até o reino de Xangô. Caminhou pacientemente durante alguns dias e logo foi alcançado por viajantes que com pressa alcançaram o Orunmilá. Com passo miúdo ele cadenciou ainda mais a pisada e deixou que aqueles viajantes passassem a sua frente. Eles seguiram e avançaram até os portões do reino de Xangô. O rei do seu trono ao avistar os viajantes ergueu seu oxê (machado) aos céus e no cair da noite despencou um grande estrondo. Os viajantes assustados correram desesperadamente voltando pelo caminho que fizeram com muita pressa. Já longe voltaram a encontrar Orunmilá que questionou por que eles estavam tão assustados e retornando. Os viajantes falaram que estavam assustados com o que havia naquele lugar. Orunmilá com inteligência e sensibilidade perguntou se eles haviam empregado ebó para o caminho. Os viajantes disseram que não. Orunmilá então pediu algumas coisas que eles carregavam e fez ebó na escuridão da noite. No nascer do dia todos seguiram viagem. Ao entrar na cidade de Xangô foram recepcionados pelas crianças que os levaram até o soberano. Xangô ao ver Orunmilá, senhor de Ifá, se deitou a sua frente e proferiu a sentença: aonde a paciência levar a sabedoria, seja quem foi o rei deve se levantar para que a sabedoria sente. Assim, Xangô sentou a sabedoria no trono e fez com que os viajantes do mundo fossem seus seguidores. Kaô Kabiesile! Ire oooooo!!!
"Ser nobre é reconhecer a sabedoria como a maior das virtudes, assim como reconhecer que o caminho da sabedoria é a paciência".
Luiz Rufino
Ilustração: Carybé