10/08/2026
Quando falamos em colágeno para a pele, o cenário é menos convincente do que o marketing sugere. Algumas revisões encontraram pequenas melhorias em hidratação, elasticidade e rugas, mas uma metanálise mais recente mostrou que esses benefícios desaparecem quando são considerados apenas estudos de maior qualidade ou sem financiamento da indústria. Portanto, hoje, não dá para afirmar que o colágeno oral tenha benefício clínico consistente contra o envelhecimento da pele.
Se o objetivo é melhorar a ingestão proteica, existem opções nutricionalmente mais completas, como whey protein, carnes, ovos, leite e derivados ou combinações adequadas de proteínas vegetais. Elas fornecem um perfil de aminoácidos essenciais mais completo para atender às diferentes demandas do organismo.
Para articulações, existe uma exceção interessante: o colágeno tipo II não desnaturado (UC-II) apresenta estudos clínicos mostrando melhora de dor e função, principalmente em osteoartrite de joelho. Porém, a evidência ainda tem limitações: poucos estudos, amostras relativamente pequenas, acompanhamento geralmente curto e necessidade de ensaios maiores e independentes para confirmar o benefício a longo prazo. Além disso, isso não significa que qualquer colágeno hidrolisado tenha o mesmo efeito ou que ele regenere a cartilagem.
Referências:
Myung SK, Park Y. Effects of Collagen Supplements on Skin Aging: A Systematic Review and Meta-Analysis of Randomized Controlled Trials. Am J Med. 2025.
de Miranda RB, Weimer P, Rossi RC. Effects of hydrolyzed collagen supplementation on skin aging: a systematic review and meta-analysis. Int J Dermatol. 2021.
Kumar P et al. Efficacy of undenatured collagen in knee osteoarthritis: review of the literature with limited meta-analysis. Am J Transl Res. 2023.
Efficacy and safety of native type II collagen in modulating knee osteoarthritis symptoms: a randomised, double-blind, placebo-controlled trial. 2022.