11/05/2026
SERÁ QUE CONSUMIR ALGAS PODERIA SER A SOLUÇÃO PARA AUMENTAR A INGESTÃO DE IODO NA DIETA DO BRASILEIRO?
A baixa ingestão de iodo é comum dentre as mulheres e as gestantes brasileiras e as algas marinhas são uma das fontes mais ricas desse mineral e, embora o seu consumo não seja habitual aqui no Brasil, atualmente, estão cada vez mais disponíveis na nossa dieta. Mas será que as algas marinhas poderiam ser a solução para aumentar a ingestão desse micromineral na dieta do brasileiro?
Não é novidade que as algas marinhas não são plantas, embora realizem fotossíntese. A maioria das algas pertence ao reino Protista, enquanto plantas estão no reino Plantae, diferenciando-se dessas por terem estruturas muito mais simples, sem raízes, caules, folhas ou vasos condutores de seiva verdadeiros.
As algas comestíveis mais comuns são a Nori, a Wakame e a Kombu, as quais são ricas em fibras, polissacarídeos, minerais (iodo, cálcio, magnésio, potássio, ferro, sódio, fósforo), proteínas, ômega 3, flavonoides, carotenoides e vitaminas (A, C, E, K), ideais para melhorar o funcionamento do organismo.
As algas marinhas são a fonte mais concentrada de iodo, com teores variando amplamente de 1.470 microgramas por 100 gramas (nori) a mais de 440.670 mcg/100g (Kombu), dependendo da espécie. Determinar o teor de iodo nas diferentes espécies é um desafio, pois a maioria dos alimentos não inclui esses valores em seus rótulos.
Consumir iodo além dos valores recomendados é prejudicial à saúde, pois pode causar, por exemplo, disfunções na tireoide, por isso, é desaconselhado o consumo de algas marinhas mais que uma vez por semana, especialmente durante a gravidez. Porém, a recomendação para evitar o consumo de algas significaria que muitos de nós estaríamos deixando de ingerir uma fonte concentrada de iodo, especialmente se seguimos uma dieta vegetariana ou não consumimos frutos do mar.
Há variedades de algas que podem exceder em muito os valores recomendados de consumo, mesmo em pequenas quantidades, às vezes mais do que o dobro do limite máximo recomendado. Por isso conhecer o teor de iodo das diferentes variedades de algas e considerar a quantidade e a frequência com que são consumidas pode nos ajuda a evitar a intoxicação.
Os valores médios de iodo para as duas principais variedades de algas marinhas secas comuns aqui no Brasil são:
Nori: 1.470 mcg/100 g;
Wakame: 16.830 mcg/100 g;
A nori (Pyropia/Porphyra): alga vermelha, usada seca em folhas para sushi, conhecida por ser boa fonte de proteínas e ômega 3.
A wakame (Undaria pinnatifida): alga marrom, riquíssima em iodo, magnésio e cálcio. É o tipo comumente usado em missoshiru (sopa de missô).
O teor de iodo nas algas marinhas varia dependendo da origem, do tipo e da forma de preparo, já a sua biodisponibilidade depende da matriz alimentar, dos outros alimentos consumidos em conjunto, da forma de preparo e do estilo de vida do indivíduo. O tabagismo e a disbiose, por exemplo, diminuem a absorção de iodo.
Além disso, há de se considerar que a absorção de iodo disponível a partir de algas marinhas varia de 49% a 82%. Isso significa que consumir alimentos com uma alta concentração de iodo não faz com que o organismo absorva 100% desse mineral. Porém isso não significa que devemos ingerir grandes porções de algas ricas em iodo, pois isso seria consumir além dos valores do UL.
A RDA é o nível de ingestão diária de nutrientes suficiente para atender às necessidades de 97% a 98% da população saudável. A RDA (Ingestão Dietética Recomendada) serve como meta de consumo individual para evitar deficiências nutricionais. As RDAs de iodo por faixa etária são:
90 mcg (crianças de 1 a 3 anos);
90 mcg (crianças de 4 a 8 anos);
120 mcg (crianças de 9 a 13 anos);
150 mcg (para adolescentes: 14 a 18 anos);
150 mcg (para adultos: a partir de 19 anos e idosos: > 65 anos);
Para gestantes e para lactantes as necessidades aumentam para 220 mcg/dia e 290 mcg/dia, respectivamente.
Não há dados, na data atual, sobre o consumo de algas marinhas e sua contribuição para a aquisição de iodo na dieta brasileira. A única recomendação dietética brasileira sobre o consumo de algas, ou, sobre a prevenção da intoxicação por iodo advindo do consumo de algas, é que seja igual ao consumo diário estimado de algas marinhas consumidas por adultos nos países do Leste Asiático que é cerca de 5,2 gramas na China, 8,5 gr. na Coreia do Sul e 7,0 gr. no Japão.
Na dieta do brasileiro, isso seria cerca de 5 gramas de nori seco/dia (2 folhas), o que parece ser uma porção adequada, fornecendo 73,5 mcg de iodo, cerca de 1/2 da RDA de iodo para adultos.
No caso da wakame seca, o cuidado deve ser redobrado, pois em 2 folhas (5 gramas) de alga há cerca de 841,5 mcg, ou seja, 5,6 vezes a RDA de iodo para adultos que é 150 mcg por dia, o que excede o UL para crianças.
Há de se considerar que nos países asiáticos as algas marinhas fazem parte da dieta habitual, por isso essas populações são adaptadas biologicamente a absorver menos iodo das algas, devido ao feedback negativo, o qual equilibra a absorção de nutrientes quando há o seu aumento, acima do normal, no sangue, desencadeia-se uma resposta que diminui a absorção ou captação desse mesmo nutriente para manter a homeostase.
O Limite Superior de Ingestão Tolerável ou UL (Tolerable Upper Intake Level) é o limite diário de ingestão de nutrientes o qual não é meta de consumo a qual não deve ser ultrapassado, pois o excesso de iodo é prejudicial à saúde.
Eis os ULs de iodo por faixa etária:
200 mcg (crianças de 1 a 3 anos);
300 mcg (crianças de 4 a 8 anos);
600 mcg (crianças de 9 a 13 anos);
900 mcg (para adolescentes: 14 a 18 anos);
1.100 mcg (para adultos: a partir de 19 anos e idosos: > 65 anos).
Por ser a mais consumida no Brasil e com o menor teor de iodo, muito menor do que o de muitas outras variedades de algas marinhas secas, a nori é a melhor opção para aumentar a ingestão desse mineral na dieta brasileira.
Não podemos nos esquecer de que na nossa dieta, o iodo é adquirido principalmente de alimentos vegetais e animais. Por isso, é recomendado consumir apenas pequenas porções (de 1g a 2,5g) da wakame ou da nori apenas uma vez por semana, evitando a kombu pois possui iodo demais.
Ass. Dra. Dayla Vieira