Psicologia & Psicanálise

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25/08/2026

Como a arte se inscreve no mundo?
A arte, seja qual for, não é apenas ornamento da vida, ela é movimento.
A arte é uma forma do sujeito, através da sublimação, se inscrever no mundo, de deixar uma marca, de transformar sua experiência em algo que possa circular no laço social. O artista transforma o que o atravessa em criação e, ao fazê-lo, oferece ao outro a possibilidade de também se encontrar naquilo que foi criado.
Talvez seja por isso que Nietzsche tenha escrito: temos a arte para não morrer da verdade!
Porque a arte não nos poupa da existência, mas ela nos dá uma maneira de habitá-la.
E talvez seja esse o grande gesto do artista, transformar o impossível em possibilidade, o indizível em linguagem, a falta em criação e aquilo que poderia permanecer apenas como sofrimento em algo capaz de produzir sentido, desejo e encontro.
Feliz dia do artista, a todos aqueles que fazem da falta uma criação, do desejo uma obra e do inconsciente uma possibilidade de invenção, porque enquanto houver alguém capaz de criar, ainda haverá uma maneira de dizer sim a vida!

Porque você continua oferecendo tanto a quem nunca parece satisfeito? O que, na sua história, fez você acreditar que pre...
29/07/2026

Porque você continua oferecendo tanto a quem nunca parece satisfeito? O que, na sua história, fez você acreditar que precisaria se anular para merecer amor, reconhecimento e valor?

Para Freud e Lacan, muitas vezes o sujeito permanece aprisionado à ilusão de que, se fizer mais, amar mais, suportar mais e renunciar mais a si mesmo, finalmente encontrará o amor que lhe faltou, mas esse amor prometido nunca chega. Ao contrário, quanto mais se entrega sem limites, mais o outro se acomoda, mais exige e, muitas vezes, mais abusiva f**a a relação.
Talvez a questão não seja aprender a dar mais, mas perguntar, estou me entregando mais do que recebo? Porque se perder de si em uma relação é apagamento da subjetividade.
A psicanálise nos convida a reconhecer que o desejo do Outro nunca será plenamente satisfeito, o que nos leva a pensar, que viver tentando preencher essa falta é uma tarefa impossível e desgastante, onde enquanto a vida passa, o outro tem tudo e você nada.
Amar não é desaparecer para que o outro exista, amar é preservar o próprio desejo, os próprios limites e a própria dignidade.
Aprenda a entregar, conforme você recebe. Quem valoriza sua presença sem que você tenha que ser serventia para ser amado, também deve ser capaz de sustentar a reciprocidade. Caso contrário, talvez você não esteja sendo amado, mas apenas sendo usado, é onde você ocupa lugar de objeto de satisfação do Outro.

24/07/2026

Há um momento da vida em que percebemos que ninguém pode responder, por nós, daí vem a pergunta que você pode fazer pra si mesma: Quem sou eu?
Sabemos que todos nós precisamos do Outro, desde que nascemos e é no encontro com alguém que aprendemos a falar, amar e existir. Nós somos seres de relação. Mas uma relação saudável não é aquela em que o outro decide o nosso valor, mas sim aquela em que o outro nos acompanha, sem ocupar o lugar de quem diz quem somos.
Quando toda a nossa paz depende do olhar do outro, do elogio ou da aprovação de alguém, acabamos entregando nossa própria história nas mãos do outro. Se caso o outro nos trata bem, sentimos que somos bons, se caso o outro nos ignora, logo pensamos, o que eu fiz de errado? Esquecemos que o olhar do outro fala muito mais sobre a história dele do que sobre a nossa, o que o outro sente, pensa ou projeta em nós pertence a ele.
A psicanálise nos convida a um movimento diferente, que é sair do lugar de esperar que alguém resolva, confirme ou autorize nossa existência, não porque devemos viver sozinhos, mas porque ninguém pode ocupar o lugar que é nosso.
Os pais, ou aqueles que cuidaram de você, tiveram a função de orientar, ensinar limites, valores e caminhos. Agora começa outra etapa, a de escutar a própria voz, é o tempo de descobrir o que você pensa, o que você sente, no que você acredita e qual posição deseja ocupar na vida.
Talvez a pergunta deixe de ser, o que o outro pensa de mim? e passe a ser, quem eu escolho ser, mesmo quando o outro não confirma aquilo que espero
É nesse encontro consigo mesmo, que nasce uma liberdade silenciosa, a de continuar amando e sendo amada, sem precisar que cada olhar, atitude ou a fala do outro, defina o seu valor.

Paula Reis
Psicóloga e Psicanalista

13/07/2026

Fazer análise é um ato de coragem, por ser muitas vezes angustiante lidar consigo mesmo e com os lugares que ocupamos no Outro e que resistimos desocupar, mesmo que esse lugar cause sofrimento.
Freud nos mostra que mudar não depende apenas do querer, por existir resistências inconscientes que fazem o sujeito recuar da análise justamente quando está mais perto de tocar aquilo que sustenta seu sofrimento.
Lacan, por sua vez, nos ensina que a análise convida o sujeito a ocupar uma nova posição diante de sua própria história.
O trabalho analítico também nos demanda tempo, pra falar, pra silenciar, pra elaborar, pra suportar a angústia e para permitir que algo novo possa surgir, onde não existem atalhos para esse percurso.
Ao longo desse caminho, o sujeito começa a perceber que há desejos inconscientes, muitas escolhas, repetições e conflitos psíquicos que não acontecem por acaso, onde há um saber inconsciente que insiste em se manifestar até que possa ser escutado.
Persistir na análise, mesmo quando ela provoca desconforto, angústia é dar a si mesmo a oportunidade de ressignif**ar a própria história e construir um novo sentido para a vida. A coragem não está em não sentir angústia, mas em continuar, apesar dela.

Paula Reis
Psicóloga e Psicanalista

08/07/2026

Quando o analisando dá a própria alta

Há situações em que o paciente comunica que deseja encerrar a análise, como um verdadeiro fim de percurso ou uma resistência diante de um ponto doloroso, pode ser o medo das mudanças, elaboração suficiente para aquele momento da vida ou a necessidade de continuar o trabalho posteriormente, onde nem toda alta signif**a fuga, como nem toda permanência signif**a progresso.
Cabe ao analista escutar o signif**ado singular desse encerramento.

Já o verdadeiro fim de análise em Freud e Lacan, trata-se de uma mudança na posição do sujeito diante de seu inconsciente, onde o analisando deixa de esperar que o Outro ofereça respostas definitivas para sua existência e passa a assumir a responsabilidade por seu desejo, reconhecendo que a falta é constitutiva da condição humana.
A angústia pode permanecer, mas já não ocupa o mesmo lugar, os sintomas podem existir, porém deixam de governar a vida da mesma maneira. Nessa perspectiva, o término da análise não é o alcance de uma perfeição psíquica, mas a conquista de uma relação mais livre e ética com o próprio desejo.
Como sintetiza Lacan, o objetivo de uma análise não é fazer desaparecer a falta, mas permitir que o sujeito saiba fazer algo com ela, sendo justamente essa mudança de posição subjetiva que caracteriza, para a psicanálise, um fim de análise verdadeiramente consistente.
Paula Reis
Psicóloga e Psicanalista

É na clínica psicanalítica que a palavra encontra um lugar para existir.É durante a análise que a palavra abre caminhos ...
03/07/2026

É na clínica psicanalítica que a palavra encontra um lugar para existir.
É durante a análise que a palavra abre caminhos onde antes havia apenas repetição. É no encontro com a própria história que o sujeito pode encontrar novas formas de existir e de desejar.
A psicanálise não promete uma vida sem conflitos, ela convida cada um a ocupar um novo lugar diante deles, onde há um tempo para falar e um lugar para ser escutado.
Se o seu sintoma insiste, talvez ele tenha algo a dizer.

Paula Reis
Psicóloga e Psicanalista

Carta aberta às mulheres:Há mulheres que permanecem em um relacionamento pela esperança, onde esperam que ele mude, espe...
28/06/2026

Carta aberta às mulheres:

Há mulheres que permanecem em um relacionamento pela esperança, onde esperam que ele mude, esperam que ele amadureça, esperam que ele enxergue o próprio erro, esperam que ele cuide, proteja, acolha, reconheça e a valorize.
Esperam que um dia ele se torne o homem que elas sempre imaginaram, idealizaram que existia dentro dele.
Enquanto às mulheres esperam, elas vão se esquecendo de si e carregam as contas, carregam os filhos, carregam a casa, carregam as preocupações e carregam até a responsabilidades que pertencem ao outro, se sobrecarregam.
E, pouco a pouco, passam a carregar também a tristeza, a frustração, a angústia e o fracasso que não são delas.
A esperança pode ser bonita em algumas situações, mas existe uma esperança que aprisiona, é aquela que nos faz viver de promessas em vez de fatos, de palavras em vez de atitudes, de fantasias em vez de realidade.
Entenda que, ninguém salva quem não deseja ser salvo, ninguém amadurece pelo outro, ninguém muda porque alguém sofreu o suficiente, você não vai conseguir mudar o outro sofrendo.
O seu amor, a sua entrega, o seu investimento na relação não tem o poder de curar tudo e uma mulher não veio ao mundo para terminar de criar um homem que já deveria ser adulto.
Pode ser que a maior prova de autoamor não é continuar tentando, mas sim, aceitar o que é, olhando para a realidade sem o véu da esperança.
Existe uma liberdade que nasce quando a mulher para de perguntar, quando ele vai mudar? E começar a se perguntar, o que eu preciso fazer para cuidar de mim?
Nem toda separação acontece quando se fecha uma porta, algumas começam quando a ilusão termina, quando o ideal cai por terra, quando a realidade toma o lugar da fantasia nessa busca inconsciente e muitas vezes, é exatamente aí que a mulher reencontra a própria vida.

27/06/2026

A música Viagem ao Fundo do Ego, da banda pode ser lida como uma metáfora do encontro do sujeito com seu próprio inconsciente. Sob a perspectiva da psicanálise, trata-se da travessia em direção ao que há de mais desconhecido em si mesmo, onde a letra fala sobre a volta do olhar para dentro de si. Atravessar esse território desconhecido exige coragem, pois signif**a encontrar desejos, medos, conflitos e partes de nós que nem sempre queremos reconhecer.
Sob a perspectiva da psicanálise, Freud nos mostra que essa viagem é um mergulho no inconsciente, enquanto Lacan nos lembra que jamais nos conhecemos por completo.
Conhecer a si mesmo não é encontrar todas as respostas, mas aceitar que somos atravessados pela falta, pelo desejo e pelo mistério que nos constitui.
Às vezes, a maior descoberta não está no mundo, mas na coragem de enfrentar quem somos.

Hoje a torcida merece ir para o feed!Brasillll 🇧🇷
25/06/2026

Hoje a torcida merece ir para o feed!
Brasillll 🇧🇷

Às armadilhas do encanto da fama O contato com a arte é fascinante e poder estar com o público, receber o carinho, a adm...
04/06/2026

Às armadilhas do encanto da fama

O contato com a arte é fascinante e poder estar com o público, receber o carinho, a admiração, os elogios, o reconhecimento é o que o artista espera do outro, mas é preciso saber lidar com a fama, porque ela tem às suas armadilhas através do excesso, da busca incessante pelo olhar e validação do Outro que pode causar muitos prejuízos.
Para Freud, a busca pela fama pode inflar o narcisismo do artista, onde o reconhecimento externo funciona como um reforço do eu ideal, fazendo com que o sujeito se identifique excessivamente com a imagem admirada.
Para Lacan, o estrelato captura o artista no registro imaginário, onde ele se identif**a com a imagem glorif**ada que o Outro social lhe devolve.
Para Freud, quando o narcisismo está inflado, o investimento libidinal se volta excessivamente para o próprio eu, o outro deixa de ser objeto de amor e passa a ser apenas um espelho ou um instrumento e, sem o sujeito perceber, às suas relações vão se tornando superficiais, utilitárias e facilmente descartáveis, o que faz surgir em muitos casos os conflitos mentais, que aparecem na negação da própria falta, na inveja, na competição velada e na dificuldade de confiar, produzindo muitas vezes o isolamento afetivo e quando o aplauso falha, emerge um vazio intenso, muitas vezes acompanhado de angústia, depressão ou ressentimento.
No momento que a fama vira identidade, o outro deixa de ser encontro e passa a ser medida, onde o sujeito se coloca acima, perde a troca, empobrece os vínculos e confunde aplauso com amor. O estrelato pode iluminar a imagem, mas é a falta reconhecida que sustenta relações verdadeiras.

Por Paula Reis
Psicóloga e Psicanalista

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