15/03/2018
Dores no pós massagem
(Kaiser)
É comum sentir algum tipo de dor após uma sessão de massagem quando a tensão muscular é gerada por um acúmulo de tensão grande.
Neste post abordarei duas questões básicas em relação a dor: a dor pós-massagem e a “dor surpresa”, ou “alterações inesperadas”, que ocorre no dia seguinte ou no mesmo dia da massagem e que o cliente associa ao atendimento, mas que não tem conexão.
Primeiro: a dor pós-massagem.
Muitos clientes que chegam ao atendimento de massagem apresentam queixas de grandes dores que, em sua maioria, estão acumuladas. Infelizmente, as populações ocidentais ainda têm a cultura de deixar para resolver problemas e dores somente quando a situação está insuportável. O grande problema dessa cultura mental é que, dependendo do caso, algumas situações sequer podem ser revertidas totalmente ou resolvidas de imediato, que é o que a grande maioria deseja na verdade. Dores acumuladas em meses, por exemplo, não podem ser eliminadas em uma ou duas horas de massagem. Mas esse é assunto para outro post.
Ocorre que os clientes chegam com dores latejantes e intensas nos braços, nos ombros, nas pernas, nas costas, no pescoço e etc., que devido ao acúmulo podem já ter formando placas de tensão (cadeia muscular já toda enrijecida) ou nódulos grandes. E é fácil para o cliente sentir o nível de seu enrijecimento. Experimente você, cliente, automassagear a região na linha do ombro (músculo trapézio). Você não terá a mesma sensibilidade de toque de um massagista profissional, mas com certeza poderá ter uma noção de como as coisas estão.
Você sabia que mesmo quando a técnica é aplicada devidamente você ainda poderá sentir dores? E que isso é normal?
É normal, sim, sentir dores após uma sessão de massagem por conta de fatores que mencionei anteriormente, como acúmulo de dores (o principal). Imagine que toda a linha do seu ombro, a região das escápulas e a base do pescoço estão incrivelmente tensos. A musculatura chegou a ter suas proporções alteradas visivelmente. Se do jeito que está você já sente dor, pense no que acontecerá quando houver pressão no local. Massagem não é carinho, quero dizer, os toques não podem ser muito leves, do contrário atuarão somente na pele, e não nos músculos. Verdade, porém, que a pressão não pode ser insuportável a ponto de fazer o cliente se agarrar à maca e fazer expressões de dor. Mas ele(a) deve saber que sentirá algum incômodo e que isso é natural. Devido à manipulação dessas regiões doloridas, é comum (e esperado!!!!) que o cliente sinta alguma dor no dia seguinte ou no mesmo dia. Essa dor, contudo, deverá desaparecer naturalmente. Se a dor não sumir, é o caso de o cliente entrar em contato com o profissional e verif**ar se está tudo bem. O mesmo também pode acontecer com, por exemplo, clientes de auriculoterapia. Os pontos na orelha podem permanecer doloridos durante todo tratamento, sendo isso absolutamente normal.
Segundo: a dor surpresa associada à massagem
Este é um ponto muito importante, porque algumas vezes pode implicar a perda do cliente. Vou contar uma experiência que ilustra bem este caso. Quando ainda era aluna do curso de auriculoterapia e estava atendendo no ambulatório de estágio, havia uma senhora idosa que há tempos era paciente e era atendida sempre pela mesma pessoa, nossa supervisora. Certo dia, foi solicitado que eu a atendesse. No tempo entre esse atendimento e o próximo, ela ligou para a escola aflita, porque desde o último atendimento havia parado de urinar e achava que isso tinha a ver com a terapia e com o fato de ter sido atendida por outra pessoa. Assim sendo, em sua próxima sessão voltou a ser atendida por minha supervisora. Em uma conversa, a supervisora me disse que o problema nada tinha a ver com a terapia ou comigo. Mas as coisas acontecem da seguinte maneira: se a única coisa fora da rotina da pessoa foi a sessão de massagem, sua tendência é sempre culpar a massagem (ou qualquer outra terapia). Muitas vezes acordamos com uma dor inesperada ou começamos a sentir incômodos inesperados ao longo do dia, sem ter a menor ideia da causa. Mas como houve uma massagem, f**a muito mais fácil jogar a culpa na massagem. Há clientes que ligarão para perguntar qual é o problema, outros talvez esperem até a próxima sessão para comentar e há aqueles que não falarão nada nem retornarão.
Qual a melhor solução para os casos abordados aqui? Diálogo e informação. O profissional deve alertar o cliente sobre as possíveis reações à sessão e se mostrar disponível para dúvidas e problemas que surgirem; já o cliente deve entrar em contato com o profissional para esclarecer a questão e sempre, SEMPRE, informar suas condições de saúde de modo honesto para evitar efeitos colaterais desagradáveis. A pior coisa que alguém pode fazer contra seu bem-estar é mentir para si mesmo e ocultar informações no momento do atendimento. O profissional não está ali para julgá-lo, mas sim para ajudá-lo na obtenção de uma vida com melhor qualidade.