08/05/2014
A Banana
A banana, originária do sudeste asiático, de onde se difundiu para a África e a América, é uma fruta deliciosa, nutritiva e medicinal. É ligeiramente diurética e laxativa. Trata-se de uma importante terapêutica em certas gastro-enterites, principalmente, em convalescentes e crianças.
Nenhuma fruta se compara à banana em vários aspectos. Nenhuma outra é tão apreciada pelo ser humano (Homo sapiens), principalmente, pela criança. A alimentação com bananas é importante para todos, independente da cor da pele. Aliás, segundo a moderna antropologia e a genética, entre os seres humanos, não existem raças humanas. Na expressão jocosa do Prof. Dobzhansky, “o Homem tem sido sempre um vira-latas”. A mistura racial existiu durante toda a história da humanidade. O estudo dos fósseis humanos revela por evidências incontestáveis que, mesmo na época pré-histórica, no alvorecer da Humanidade, deu-se a mistura de diferentes estirpes, pelo menos ocasionalmente. Portanto, a espécie humana sempre foi, e ainda é, um conjunto mestiço. A cor da pele não constitui um diferencial válido para definir uma raça humana. Portanto “somos todos iguais ... na cor do sangue” (Milton Mattos).
Por isso todos nós, seres humanos, de todas as idades, de todas as classes sociais, devemos consumir bananas. Crianças e velhos, sãos e enfermos, ricos e pobres, todos podem usufruir da Musa X paradisíaca. Afinal trata-se da fruta das frutas.
Crua, assada, cozida, seca ao sol ou passada no melado, em doces, caldos ou compotas, a banana é um alimento de primeira grandeza. Deve-se, porém, para fins terapêuticos, preferi-la sempre crua. Transformada em farinha, fornece um alimento especial, muito nutritivo, recomendado em mingaus, às crianças pequenas debilitadas.
Segundo o Dr. Teófilo Uchoa, a banana madura encerra uma substância oleosa, que muito suaviza as membranas mucosas irritadas em casos de colite e enfermidades do reto. Contém igualmente uma enzima digestiva de alto valor que, em enfermidades intestinais, torna a banana a única fonte de carboidrato tolerada pelo paciente, que (de outra maneira) morre de fome... Essa fruta é muito recomendável também contra as enfermidades renais, nefrite, hidropisia, gota, obesidade, doenças do fígado, cálculos biliares, tuberculose, escrofulose, doenças do estômago, etc.
Metchnikoff (1845-1916), há muitos anos, observou que as substâncias tóxicas resultantes da putrefação dos resíduos alimentares no intestino grosso, enquanto esperavam a sua eliminação, causavam processos degenerativos no organismo, especialmente nos vasos sangüíneos e, pelas suas pesquisas, foi levado a denominar o coli-bacilo de “germe da velhice”.
Metchnikoff procedeu a várias experiências alimentares com animais de diferentes espécies e, em alguns casos, obteve resultados apreciáveis. Observou, por exemplo, que as fezes do morcego sul-americano, comedor de frutas, quando alimentado exclusivamente com bananas maduras, tinham o cheiro característico desta fruta e estavam inteiramente livres de indício de putrefação.
Um estudo feito por Weinstein e Bogin, da Escola de Medicina da Univ. de Yale, revelou que, durante a alimentação com bananas, o bacilo acidófilo, microorganismo anti-putrefativo, predominou em poucas semanas. Num caso por eles observado, a influência deste bacilo continuou mesmo depois de cessada a alimentação com bananas.
A dieta de bananas modifica não só o desvio ácido do metabolismo, como também e, sobretudo, faz aumentar simultaneamente as reservas alcalinas necessárias ao sangue, o que também se pode conhecer imediatamente da maneira mais simples na modificação da reação da urina promovida pela digestão da banana.
A dieta de bananas maduras também deu resultados dos mais benéficos em todos os casos de prisão de ventre, dentro de uma ou duas semanas. Seus efeitos permaneceram, depois que a ingestão da fruta cessou.
Blanche Walker (The Boston Herald) refere-se ao caso de uma criança salva da morte graças à alimentação à base de bananas.
“Tristeza e desolação”, diz o autor, “envolviam o pequeno lar dos Chislom”. “A sua única filha, Bárbara, estava muitíssimo doente e os médicos já não lhe davam mais esperanças”. “Os pais, desolados, viam a criança definhar dia a dia. A pequena, depois de um ano, era uma sombra da criança risonha que antes alegrava o seu lar”.
Uma desordem digestiva tinha-se desenvolvido em Bárbara: ela não podia assimilar alimento de espécie alguma. As tentativas do médico local e de vários especialistas foram inúteis. Os remédios mais conhecidos não lhe trouxeram resultado eficaz.
“A mãe aflita curvava-se sobre o berço, os vizinhos vinham e iam com palavras de ânimo, sem lograr aplacar o desespero dos pais. Nos últimos momentos, um especialista apresentou uma sugestão: oferecer bananas maduras como alimento”.
“Foi oferecida, portanto, uma pequena porção de bananas à criança e, maravilha das maravilhas, ela se deu bem com esse alimento. A porção foi sendo aumentada pouco a pouco. A criança mudava de aparência e melhorava dia a dia”.
“Depois de seis meses de permanência no hospital, a criança foi levada para casa em estado visível de completo restabelecimento.” Doença celíaca foi o diagnóstico feito pelo médico, e trata-se de uma indigestão intestinal, no passado, conhecida como atrepsia. A banana, possui uma enzima digestiva que permite a sua digestão e assimilação. Por isso, pode salvar vidas.
A seiva da bananeira também pode ser extremamente útil, para combater a icterícia, a asma e como preventivo da tuberculose.
O Dr. Monteiro da Silva, fundador do laboratório da Flora Medicinal no Rio de Janeiro, tratava seus pacientes de tuberculose com a seiva extraída do pseudocaule da bananeira. À altura de 1 m. aproximadamente faz-se um corte e abre-se uma cavidade capaz de conter um copo, que ali se introduz para se recolher cheio no dia seguinte. Deste líquido, assim obtido, prescreve-se um cálice, cinco vezes ao dia. Segundo o Dr. Monteiro, as curas radicais alcançadas na tuberculose de segundo grau atingem uma média significativa.
A própria casca da banana têm aplicação em casos de machucaduras, rachaduras do bico do seio de mães que estão amamentando. Utiliza-se a parte interna da casca e colocando-se diretamente na parte afetada. A recuperação é extremamente rápida e impede o processo inflamatório.
Historicamente a banana tem sido utilizada com sucesso nas seguintes enfermidades: anemia, asma, feridas, colite, constipação intestinal, contusões, desnutrição (atrepsia), diarréias, doença celíaca, enterite, gastrite, gota, hemorróidas, hidropisia, icterícia, insônia, obesidade, queimaduras, tuberculose e úlceras.
Nas queimaduras, pode-se envolver o paciente queimado, totalmente despido, na folha da bananeira. Em pequenas queimaduras, pode-se usar também a casca da banana.
No espru, uma doença tropical, que ainda não está suficientemente esclarecida e que ocasionalmente se manifesta entre nós, o melhor e até mesmo o remédio mais seguro é a banana. Os doentes de espru ficam curados, quase por milagre, mediante um regime exclusivo de bananas.
Enfim, a banana é um fruto de extrema importância para a espécie humana, facilmente cultivável nas regiões tropicais do planeta e não tem o menor sentido desprezá-la como se fosse apenas um alimento para animais inferiores na escala zoológica ...
Prof. Douglas Carrara
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BALBACH, Alfons e Daniel BOARIM (1963- ):
1992 – As Frutas na Medicina Natural – Ed. Vida Plena – Itaquaquecetuba – 308 p.
DUNN, L.C. (1893-1974) & Th. Dobzhansky (1900-1975):
1962 – Herança, Raça e Sociedade – Livr. Pioneira – São Paulo – 169 p.
SCHNEIDER, Ernst:
1984 – A Cura e a Saúde pelos Alimentos – Casa Publ. Batista – Santo André – 507 p.
SMITH, Anthony:
1971 – O Corpo Humano – Ed. Melhoramentos – São Paulo – 537 p.