Ivan Terra Recco

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Ivan Terra Recco Médico CRM-PR 62.858
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18/09/2026
Só Cristo.
04/09/2026

Só Cristo.

INSÔNIA CRÔNICA: dormir não é simplesmente “desligar” o cérebro.Uma noite mal dormida acontece com todo mundo. O problem...
31/08/2026

INSÔNIA CRÔNICA: dormir não é simplesmente “desligar” o cérebro.

Uma noite mal dormida acontece com todo mundo. O problema começa quando a dificuldade para iniciar ou manter o sono se torna frequente e passa a comprometer energia, memória, concentração, humor e funcionamento durante o dia.

Quando isso ocorre pelo menos 3 vezes por semana, durante 3 meses ou mais, mesmo existindo tempo e condições adequadas para dormir, podemos estar diante de um transtorno de insônia crônica.

Entre as consequências mais frequentes estão:

• Cansaço e redução de energia;
• Dificuldade de concentração e memória;
• Irritabilidade e alterações do humor;
• Queda no desempenho durante o dia;
• Preocupação excessiva com o próprio sono;
• Sensação de sono não restaurador.

Hoje sabemos que tratar insônia é muito mais complexo do que simplesmente provocar sedação. O sono resulta do equilíbrio entre diferentes sistemas neurobiológicos.

A orexina é um dos principais sistemas responsáveis pela sustentação da vigília. Reduzir sua sinalização pode diminuir o impulso cerebral para permanecer acordado. O GABA, por meio dos receptores GABA-A, exerce importante atividade inibitória, reduzindo a excitabilidade neuronal e favorecendo o início e a manutenção do sono. Já a melatonina, através dos receptores MT1 e MT2, participa da sincronização do relógio biológico e da organização do ritmo circadiano. A modulação serotoninérgica, especialmente dos receptores 5-HT2C, também pode interagir com os sistemas melatoninérgico, dopaminérgico e noradrenérgico, influenciando sono, ritmo circadiano e humor.

Existe ainda a pressão homeostática do sono, que aumenta progressivamente enquanto permanecemos acordados e interage com o sistema circadiano para determinar nossa propensão a dormir.

A Terapia Cognitivo-Comportamental para Insônia (TCC-I) permanece como tratamento de primeira linha. A farmacoterapia, quando indicada, deve ser individualizada conforme o padrão de insônia, comorbidades e características de cada paciente.

Sedação e sono fisiológico não são sinônimos. O objetivo é restaurar um sono verdadeiramente reparador, sustentável e capaz de preservar o funcionamento durante o dia.

O Canabidiol (C*D) na Dependência Química: o que a ciência diz?O C*D vem sendo estudado como possível adjuvante no trata...
05/08/2026

O Canabidiol (C*D) na Dependência Química: o que a ciência diz?

O C*D vem sendo estudado como possível adjuvante no tratamento das dependências. Diferente do THC, não é psicoativo e tem bom perfil de segurança.

O que os estudos sugerem?

Evidências indicam possível ação em circuitos de recompensa, estresse e memória do uso da substância.

Principais achados:
• Redução do craving (fissura) em usuários de opioides após exposição a gatilhos (Hurd et al., 2019)
• Diminuição de ansiedade e estresse associados a “gatilhos”
• Modulação de comportamento compulsivo
• Possível redução de risco de recaída em contextos específicos

Evidência clínica

Estudos sugerem que o C*D pode reduzir desejo intenso e ansiedade em dependência de opioides, com efeito adjuvante.

Revisões também apontam potencial em dependência de cannabis, opioides e tabaco, principalmente em sintomas emocionais da abstinência.

Segurança

• Baixo risco de efeitos adversos relevantes
• Não causa dependência
• Boa tolerabilidade

Mas não é tratamento isolado.

Deve ser sempre:
✔ Individualizado
✔ Associado à psicoterapia
✔ Integrado a equipe multiprofissional
✔ Com ou sem farmacoterapia específica

Conclusão

O C*D é uma das linhas mais promissoras na neurociência das dependências, com evidências crescentes como terapia adjuvante, especialmente para craving, ansiedade e risco de recaída.

A ciência ainda evolui, mas os dados já indicam um papel relevante no futuro do tratamento.

Dr. Ivan Terra Recco
Médico com foco em Saúde Mental e Psicoterapeuta
Clínica Médica Integrada

Nem toda depressão que não melhora é um Transtorno Depressivo Refratário.Quando um antidepressivo falha, muitas pessoas ...
27/07/2026

Nem toda depressão que não melhora é um Transtorno Depressivo Refratário.

Quando um antidepressivo falha, muitas pessoas acreditam que “o tratamento não funciona”. Na realidade, esse costuma ser o momento de fazer a pergunta mais importante da saúde mental: o diagnóstico e a estratégia terapêutica estão corretos?

Antes de considerar uma depressão resistente ao tratamento, é essencial confirmar se houve dose adequada, tempo suficiente de uso e boa adesão. Além disso, condições como transtorno bipolar, TDAH, transtornos de ansiedade, uso de substâncias, apneia obstrutiva do sono, hipotireoidismo e outras doenças clínicas podem explicar a ausência de resposta ao tratamento.

Somente após tentativas terapêuticas adequadas e uma reavaliação criteriosa é que o diagnóstico de Transtorno Depressivo Refratário deve ser considerado.

A partir desse momento, a conduta deixa de ser apenas trocar antidepressivos. Estratégias como potencialização farmacológica, psicoterapia baseada em evidências, estimulação magnética transcraniana (EMT), eletroconvulsoterapia (ECT) e esketamina podem representar alternativas eficazes para pacientes criteriosamente selecionados.

Em saúde mental, a ausência de resposta a um tratamento não representa um fracasso. Muitas vezes, ela indica que é hora de refinar o diagnóstico e individualizar a estratégia terapêutica.

Você olha para o espelho. Seu cérebro vê outra pessoa.Nem toda insatisfação com a aparência significa um transtorno ment...
27/07/2026

Você olha para o espelho. Seu cérebro vê outra pessoa.

Nem toda insatisfação com a aparência significa um transtorno mental. Porém, quando uma pequena imperfeição ou até mesmo uma característica imperceptível para outras pessoas passa a dominar pensamentos, emoções e comportamentos, estamos diante de uma condição psiquiátrica que merece atenção.

O Transtorno Dismórfico Corporal (TDC) é caracterizado por uma preocupação persistente e excessiva com defeitos percebidos na aparência física que são inexistentes ou mínimos aos olhos dos outros.

Segundo o DSM-5-TR, o diagnóstico exige que essa preocupação seja acompanhada por comportamentos repetitivos, como:

• verificar constantemente o espelho;
• camuflar partes do corpo;
• comparar-se excessivamente com outras pessoas;
• buscar reafirmação frequente;
• realizar procedimentos estéticos repetidos sem satisfação.

Esses comportamentos consomem tempo, provocam sofrimento significativo e comprometem relações sociais, desempenho profissional e qualidade de vida.

A ciência demonstra que o transtorno envolve alterações em circuitos cerebrais relacionados ao processamento visual, regulação emocional e controle obsessivo, além de forte associação com ansiedade, depressão, transtorno obsessivo-compulsivo e risco aumentado de ideação suicida.

Um dos maiores desafios é que muitos pacientes procuram primeiro dermatologistas, cirurgiões plásticos ou procedimentos estéticos. Entretanto, a intervenção estética raramente modifica a percepção distorcida do próprio corpo, pois a origem do sofrimento não está na pele, no nariz ou no peso, mas na forma como o cérebro interpreta essas informações.

O tratamento baseado em evidências inclui Terapia Cognitivo-Comportamental específica para TDC e, quando indicado, inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS), que apresentam a melhor evidência científica para redução dos sintomas.

Nem todo espelho mostra a realidade. Às vezes, ele apenas reflete a maneira como o sofrimento altera a percepção que temos de nós mesmos.

A comida raramente é o verdadeiro problema.Quando um transtorno alimentar se instala, o alimento deixa de cumprir sua fu...
27/07/2026

A comida raramente é o verdadeiro problema.

Quando um transtorno alimentar se instala, o alimento deixa de cumprir sua função biológica e passa a regular emoções, aliviar ansiedade, punir o próprio corpo ou tentar recuperar uma sensação de controle.

É por isso que reduzir essas doenças à ideia de “falta de disciplina” ou “vaidade” não apenas é incorreto: atrasa o diagnóstico.

Os transtornos alimentares constituem um grupo de doenças psiquiátricas graves caracterizadas por alterações persistentes no comportamento alimentar e na percepção corporal. Segundo o DSM-5-TR, os principais diagnósticos incluem Anorexia Nervosa, Bulimia Nervosa e Transtorno da Compulsão Alimentar, cada um com critérios específicos, mas todos marcados por sofrimento psíquico significativo e prejuízo funcional.

Hoje sabemos que esses transtornos envolvem alterações em circuitos cerebrais relacionados ao controle inibitório, recompensa, interocepção e regulação emocional, além de importante influência genética e ambiental. Não existe uma única causa e, muito menos, uma única solução.

Um detalhe frequentemente negligenciado é que o diagnóstico não depende exclusivamente do peso corporal. Pessoas com aparência considerada saudável podem preencher todos os critérios diagnósticos e apresentar risco clínico relevante.

Os sinais que merecem investigação incluem:

• preocupação excessiva com peso e imagem corporal;
• restrições alimentares persistentes;
• episódios de compulsão alimentar;
• comportamentos compensatórios (vômitos, laxantes, jejuns ou exercícios excessivos);
• sofrimento intenso relacionado à alimentação e ao próprio corpo.

O tratamento deve ser individualizado e baseado em evidências, envolvendo integração entre acompanhamento médico, psicoterapia e suporte nutricional.

Quanto mais precoce a intervenção, maiores são as chances de recuperação e menores os riscos de complicações clínicas e psiquiátricas.

A pergunta mais importante não é “o que essa pessoa está comendo?”. É “o que ela está tentando suportar?”.

Você não está apenas dormindo mal. Seu cérebro pode estar adoecendo.A insônia crônica é muito mais do que uma simples di...
23/07/2026

Você não está apenas dormindo mal. Seu cérebro pode estar adoecendo.

A insônia crônica é muito mais do que uma simples dificuldade para dormir. Trata-se de um transtorno em que o cérebro permanece em um estado de hiperexcitação, incapaz de iniciar ou manter um sono verdadeiramente reparador.

Segundo o DSM-5-TR e a International Classification of Sleep Disorders (ICSD-3), o diagnóstico deve ser considerado quando a dificuldade para iniciar ou manter o sono, ou o despertar precoce, ocorre pelo menos três noites por semana durante três meses ou mais, causando prejuízo significativo no funcionamento diário.

Os sinais nem sempre aparecem durante a noite. Eles costumam surgir ao longo do dia:
• Irritabilidade frequente;
• Ansiedade persistente;
• Dificuldade de concentração;
• Falhas de memória;
• Fadiga constante;
• Queda da produtividade;
• Redução da qualidade de vida.

Estudos demonstram que a insônia crônica está associada a um risco aumentado de depressão, transtornos de ansiedade, hipertensão arterial, doenças cardiovasculares, alterações metabólicas e prejuízo cognitivo. Um cérebro privado de sono reparador perde eficiência para regular emoções, consolidar memórias, eliminar metabólitos potencialmente neurotóxicos e restaurar funções essenciais para a saúde física e mental.

Outro mito precisa ser quebrado: dormir com um medicamento não significa, necessariamente, tratar a insônia.

As principais diretrizes internacionais recomendam a Terapia Cognitivo-Comportamental para Insônia (TCC-I) como tratamento de primeira linha. Quando necessário, medicamentos podem ser utilizados de forma criteriosa e individualizada, sempre considerando a causa da insônia, as comorbidades e o perfil de cada paciente.

Cada noite de sono insuficiente representa menos capacidade de regular emoções, aprender, tomar decisões e recuperar o organismo. O sono é um dos pilares da saúde cerebral.

A pergunta não é apenas quantas horas você permaneceu na cama. A pergunta é: o seu cérebro realmente conseguiu descansar?

American Psychiatric Association. DSM-5-TR (2022).
American Academy of Sleep Medicine. ICSD-3 Text Revision (2023).
Hertenstein E et al. Sleep Med Rev. (2019).

Nem toda característica da personalidade é um transtorno. Mas alguns sinais merecem atenção.Todos nós temos traços de pe...
23/07/2026

Nem toda característica da personalidade é um transtorno. Mas alguns sinais merecem atenção.

Todos nós temos traços de personalidade. O problema começa quando esses padrões se tornam rígidos, persistentes e passam a causar sofrimento ou prejuízo significativo nos relacionamentos, no trabalho e na qualidade de vida.

Sinais de alerta:

🔹 Borderline: medo intenso de abandono, impulsividade, instabilidade emocional e relacionamentos turbulentos.

🔹 Narcisista: necessidade constante de admiração, dificuldade em aceitar críticas e baixa empatia.

🔹 Antissocial: desrespeito recorrente pelos direitos dos outros, manipulação, impulsividade e ausência de remorso.

🔹 Esquiva: medo intenso de rejeição, insegurança e evitação de situações sociais.

🔹 Dependente: necessidade excessiva de apoio, dificuldade em tomar decisões e medo de ficar sozinho.

🔹 Obsessivo-Compulsiva (TPOC): perfeccionismo extremo, rigidez e necessidade excessiva de controle.

🔹 Paranoide: desconfiança persistente e tendência a interpretar intenções alheias como ameaçadoras.

Quando procurar ajuda?

Quando esses padrões persistem por anos, aparecem em diferentes contextos, prejudicam seus relacionamentos, trabalho ou estudos e fazem com que os mesmos conflitos se repitam continuamente.

Quando esses padrões:
✔️ se repetem há muitos anos;
✔️ aparecem em praticamente todos os contextos da vida;
✔️ prejudicam relacionamentos, trabalho ou estudos;
✔️ geram sofrimento significativo para você ou para quem convive com você;
✔️ fazem com que os mesmos conflitos aconteçam repetidamente.

O diagnóstico deve ser realizado por um profissional qualificado e nunca baseado em um único comportamento.

A boa notícia é que os transtornos de personalidade têm tratamento. Psicoterapias baseadas em evidências, como DBT, Terapia do Esquema, MBT e TFP, apresentam resultados consistentes e podem promover mudanças profundas na regulação emocional, nos relacionamentos e na qualidade de vida.

Personalidade não é destino. Com diagnóstico e tratamento adequados, é possível construir uma vida emocionalmente mais saudável.

Procrastinação não é apenas “deixar para depois”. É um padrão de regulação emocional que pode comprometer profundamente ...
22/07/2026

Procrastinação não é apenas “deixar para depois”. É um padrão de regulação emocional que pode comprometer profundamente a saúde mental e a qualidade de vida.

A ciência demonstra que a procrastinação crônica está associada a maiores níveis de ansiedade, depressão, estresse, sofrimento psicológico, baixa autoestima e pior qualidade do sono. Em vez de aliviar o desconforto, o adiamento reforça um ciclo de evitação: quanto mais evitamos uma tarefa, maior tende a ser a ansiedade relacionada a ela, tornando cada vez mais difícil iniciar a ação.

Com o tempo, esse padrão ultrapassa o ambiente de trabalho ou dos estudos. Relações interpessoais podem ser prejudicadas pelo não cumprimento de compromissos, pela perda de credibilidade e pelo isolamento social decorrente do sentimento persistente de culpa, vergonha e fracasso. A procrastinação também reduz a percepção de autoeficácia, favorecendo a manutenção de sintomas ansiosos e depressivos.

É importante compreender que procrastinar não significa necessariamente preguiça. Em muitos casos, esse comportamento reflete dificuldades na regulação emocional, perfeccionismo disfuncional, medo de errar, impulsividade ou transtornos como TDAH, ansiedade e depressão. Por isso, tratar apenas o comportamento, sem compreender sua origem, costuma produzir resultados limitados.

As intervenções com melhor nível de evidência incluem psicoterapia, especialmente a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), treinamento de habilidades de autorregulação, organização ambiental, manejo do perfeccionismo e, quando indicado, tratamento farmacológico do transtorno de base.

A ação precede a motivação muito mais frequentemente do que o contrário. Esperar sentir vontade para começar pode perpetuar o ciclo da procrastinação. Pequenos passos consistentes são capazes de remodelar circuitos comportamentais e restaurar a sensação de competência e autonomia.

Base científica: Revisões sistemáticas e meta-análises publicadas por Steel (2007), Sirois & Pychyl (2013; 2016), Rozental et al. (2018) e Svartdal et al. (2020) demonstram associação consistente entre procrastinação crônica, pior saúde mental, prejuízo funcional e redução da qualidade de vida.

Endereço

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Maringá, PR
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