10/08/2016
Nas sociedades primitivas e no Oriente, a máscara é um objeto sagrado através do qual o homem se comunica com forças cósmicas e recebe energias da natureza. É um objeto emissor e receptor de forças. A máscara é um elemento de ligação e de transformação, por isso surge sempre ligado à dança. É usado nos ritos de passagem, na iniciação da criança ao mundo adulto. Mas no Ocidente ela quase não tem conotação sagrada, nem provoca em nós os mesmos efeitos e as mesmas transformações que ocorrem no Oriente.
No teatro nô a máscara colabora para o distanciamento e a desindividualização do ator. Apresenta o essencial e confere ao personagem um visual tão insólito quanto os sons não humanos que o nô busca. A máscara é sempre o genérico, é a tipificação, está sempre mais próxima da idéia. No teatro grego antigo era usada, à princípio, para representar entidades mitológicas. Na commedia dell’arte representava-se com ela os tipos da sociedade, como já vinham sendo apresentados pelos atores cômicos desde os primeiros mimos. Nas sátiras sócio-políticas, no carnaval e nos festejos populares, é dissimulação; provoca, com seu grotesco irreal, uma inversão de valores; tem uma função denunciadora e subversiva.
A máscara é sempre metamorfose. Ao esconder um rosto, revela sempre uma outra personalidade; ao eliminar a pessoa do ator, revela imediatamente um personagem.
Na medida em que a máscara traz a essência de um personagem, ela despersonifica o ator ou o indivíduo, colocando em seu lugar um conceito abstrato. Ao identificar o homem com uma máscara, com um protótipo, Alfred Jarry priva-o de sua natureza, de suas peculiaridades e o transforma em objeto, torna-o uma idéia. Ao mesmo tempo, a humanização do objeto-máscara implica numa despersonalização do homem.
No Oriente e nos rituais primitivos, a máscara, por si mesma, tem uma significação, tem uma vida própria, e quando usada no palco ou numa cerimônia, a sua vivência é imediata. Já no Ocidente, um ator, para usá-la dramaticamente, precisa passar antes por um aprendizado, pois se ela não for bem manipulada, se o ator não souber animá-la devidamente, a máscara pode, num primeiro instante, causar um grande impacto, mas só no primeiro instante, porque logo esse impacto se perde. Ela se torna um objeto morto. Enquanto simples adorno, a máscara não comunica nada, torna-se estranhamente patética.
Se no Oriente o seu portador se sente transformado com ela, se recebe dela energias, no Ocidente quem a usa não sente que receba coisa alguma; ao contrário, ele a vê como um objeto ao qual precisa dar vida. O ator ocidental usa máscaras sem conotação alguma de passado ou de energias cósmicas, sem outros significados senão aquele que o seu visual lhe confere.
Por suas qualidades, a máscara é usada como um instrumento de preparação do ator. A máscara faz com que ele perca a relação habitual que mantém com o mundo à sua volta e lhe dá uma sensação nova de espaço e tempo, favorecendo também sua introspecção. A máscara ensina o ator a manter uma atenção contínua sobre seu corpo e sobre seu rosto, obriga-o a controlar seus movimentos mais lentos e mais energéticos. Ao mesmo tempo em que provoca uma conscientização do corpo, a máscara favorece a interiorização.
No Oriente, como no Ocidente, qualquer que seja o seu uso, a máscara provoca uma transformação. Os seus significados são sempre intuitivamente captados, pois a máscara exclui o pensamento racional.
Postado por Leandro Carneiro às 16:15 Nenhum comentário:
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MASCARAS FAMOSAS NAS TATUAGENS - Japonesas
Máscaras do Nô – Fantasmas e Espíritos (Onryo)
Fantasmas e Espíritos (Onryo)
Este é o tipo que retrata encarnações de espíritos e pessoas mortas. Eles incluem fantasmas do s**o masculino como Ayakashi, Yase-otoko e Ikkaku-sennin, e femininos como Yamanba e Deigan. Geralmente representam a vingança, esses espíritos são venerados como Deus, sob a crença de que, quando uma pessoa morre, a alma se torna um Deus.
Hannya (般若) – A expressão desta máscara é uma fusão de ciúme, tristeza e dor incontrolável de uma mulher. Ela tem uma aparência demoníaca com dois chifres, uma larga boca e a sobrancelha rígida. A palavra Hannya vem do sânscrito, onde seu significado de nada ter a ver com o Demônio japonês.
Trata-se de uma virtude atribuída a Buda: A Sabedoria. Existe até uma oração, a Hannya Shingô. Como amuleto, funciona espantando maus espíritos.
Hiragata-hannya (平型般若)– Foi criada na era Kamakura (1192-1333) no qual muitas máscaras foram criadas. Ele tem uma primitiva, desequilibrada e antiquada face plana faltando elaboração, ao mesmo tempo, a Hannya normal tem uma forma triangular com extrema sofisticação. Diz-se que esta mascara foi a origem de Hannya.
Yamanba (山姥)– A palavra Yamanba, bruxa ou montanha, lembra a de uma velha mulher louca em contos de fadas, vivendo em uma montanha com uma foice na mão, e sua vida, em carne humana. No entanto, no Yamanba do teatro Nô, ela representa um bom duende que vive em uma montanha. A máscara de Yamanba simboliza uma montanha ninfa.
Kawazu (河津/蛙)– Uma máscara chamada Yase-otoko, que retrata um fantasma de um homem morto assombrando este mundo depois que ele foi condenado por matar violentamente. Kawazu é uma deformação do Yase-otoko, tem bochechas ocas e olhos vagos. Também tem cabelos molhados escorridos, que acentua a sua fraqueza e miséria, tornando a platéia se sentir mais tristeza e sofrimento.
Yase-onna (痩女) – Ryō-no-onna é um tipo de máscara que retrata uma mulher com ciúme e rancor, que não poderia ir ao Nirvana e se tornou um fantasma. Yase-onna é uma das variações do Ryō-no-onna. Yase-onna tem um olhar humano, com os olhos vagos e bochechas ocas salientando a fraqueza da mulher e à miséria.
Ayakashi (怪士)– A máscara é usada para o fantasma de um comandante militar que morreu com um forte rancor. É considerada uma obra-prima, uma vez que descreve tanto a dignidade quanto seu coração. Ele tem olhos oblíquos de anéis de metal brilhante, significando que o personagem tem um caráter e uma forte vontade contra este mundo.
Yase-otoko (痩男)– A máscara retrata o desespero de um homem que sofria de muitas coisas. Ela tem pele pálida e medonha, e um fino bigode e sobrancelhas. A boca é quase fechada. Os olhos, porém, têm anéis de metal brilhante, significando que a personagem é alienado ao seres humanos, e tinta vermelha ao redor, fazendo você sentir um profundo rancor. Na época Muromachi (1336-1573), um confeccionador de máscaras chamado Himi, foi bom em fazer máscaras com uma sombra da morte em seu rosto, como Yase-otoko.
Ryūnyo (竜女)– Esta máscara é usada na história de uma mulher mergulhadora; na história, o mergulhador tenta reconquistar uma jóia roubada a partir do Palácio do Rei Dragão, para que seu filho tenha sucesso na vida. A fim de proteger a jóia dos dragões e tubarões na sua fuga, ela própria abre seu peito com um punhal, e coloca a jóia em seu corpo. Esta máscara é usada na cena em que a mergulhadora dança depois que ela se transforma em um dragão do s**o feminino e é levada para Nirvana. A máscara retrata a vontade da mãe que ama seu filho. O cabelo traçado em sua testa retrata um dragão fêmea que só apareceu a partir do mar.
Ja (蛇)– A lenda conta que as mulheres transformam-se em serpentes se elas sentem raiva extrema ou muito rancor. A máscara tem uma aparência muito mais brutal do que Hannya, mostrando um assustador rosto com sua boca bem ampla e aberta. O ouro na cor dos olhos e dos dentes significa que o personagem é alienado aos seres humanos, e o vermelho escuro na face, nos faz sentir tumultuosas paixões nunca realizadas. Por outro lado, podemos encontrar a intenção de deixar uma imagem de uma mulher branca na testa.
Namanari (生成)– Esta máscara retrata uma aparição de uma mulher que vive cheia de raiva e rancor depois de ser abandonada pelo marido. Ela habilmente descreve o estado da mulher repleto de emoção. Ela tem pequenos chifres na cabeça e uma ampla boca, e pode ser considerada como uma fase preliminar de se tornar um demônio, que é representado por Hannya. O ouro nos olhos e os dentes distinguem o ser desumano. Por outro lado, tem sobrancelhas na testa, o que nos lembra de uma mulher humana. A máscara é feroz, mas tem um olhar um pouco miserável.