07/05/2026
Além da Técnica: O Intercâmbio Cultural na Prática do Cadaver Lab
Uma das perguntas que mais recebo é:
"Como é ensinar cirurgiões de realidades tão diferentes durante os treinamentos intensivos?"
Ontem, no Global Endoscopic Spine Days, tive a oportunidade de vivenciar a resposta na prática ao liderar o treinamento de colegas vindos da Argélia e da Síria. No ambiente do Cadaver Lab, o tempo é nosso recurso mais escasso e o conhecimento técnico, nossa moeda de troca.
O Desafio da Transmissão de Conhecimento
Focamos em um cronograma rigoroso, percorrendo desde as técnicas interlaminares básicas e avançadas até as transforaminais lombares.
O objetivo é claro: garantir que esses profissionais dominem a precisão necessária para oferecer cirurgias menos invasivas e recuperações mais rápidas aos seus pacientes, independentemente de onde estejam no mundo.
O Choque que Gera Crescimento
Mas o que acontece entre uma manobra e outra é o que realmente define esses dias. Ao longo do treinamento, trocamos muito mais do que ângulos de inserção e manuseio de endoscópios:
Rotinas e Desafios: Entender como a neurocirurgia é praticada em cenários tão distintos.
Cultura e Histórias: Ouvir sobre o cotidiano e as superações de cada colega em seus países de origem.
Crescimento Mútuo: Esse "choque cultural" é, na verdade, um potente catalisador de empatia e aprendizado.
Saio desses encontros com a convicção reforçada de que, embora as culturas e as histórias sejam diversas, o compromisso de salvar vidas e aliviar a dor é uma linguagem universal.
Ensinar é, acima de tudo, aprender a ver o mundo através dos olhos de quem também dedica a vida ao próximo.