31/08/2026
PRESC1SE-MI: protocolo 0/1 hora
Avaliou se colher troponina ultrassensível na chegada e após 1h seria tão seguro quanto 0/3 h e reduziria a permanência na emergência. Ensaio randomizado por hospitais, stepped-wedge: 19 centros de 10 países implantaram 0/1h após 6 ou 12 meses. Incluiu adultos consecutivos com dor torácica e suspeita de IAM; excluiu choque, parada cardíaca, diálise, não residentes e retornos em 30 dias. Eventos foram adjudicados às cegas. Entre 2020–2024, 71.983 apresentações foram rastreadas e 67.624 (93,9%) analisadas: 36.464 no 0/3 h e 31.160 no 0/1h. Mediana 59 anos; 44,3% mulheres, 22,2% com DAC e 8,7% com IAM índice. Modelos mistos ajustaram idade, s**o, estação, tempo e hospital.
Ordem dos resultados: 0/3 h versus 0/1 h. Morte ou novo IAM tipo 1 em 30 dias ocorreu em 454 (1,25%) versus 341 (1,09%): OR ajustada 0,93 (IC95% 0,77–1,13); p=0,0004 para não inferioridade, margem OR=1,30. Pelas taxas brutas, ARR=0,15 ponto percentual e RRR=12,1%. A permanência foi igual: 309 min (IIQ 203–470) versus 309 (207–474); razão ajustada 1,00 (IC95% 0,97–1,02; p=0,65), sem superioridade.
Morte: 1,05% versus 0,82%; ORa 0,84 (IC95% 0,67–1,06), ARR=0,23% e RRR=22,1%. Novo IAM tipo 1: 0,21% versus 0,30%; ORa 1,55 (IC95% 1,07–2,24), aumento absoluto=0,087% e relativo=41,7%. Readmissão: 2,51% versus 2,43%; ORa 0,97 (IC95% 0,80–1,18), ARR=0,08% e RRR=3,2%. A segunda troponina ocorreu em 42,0% versus 60,4% e foi antecipada de 190 para 86 min; 33,1% das coletas indicadas ocorreram entre 40–100 min.
Análise crítica: o 0/1 h foi não inferior em segurança, mas não reduziu a permanência. ARR e RRR são cálculos brutos, sem IC próprio. Mais IAM tipo 1 é sinal de alerta, porém veio de análise secundária sem correção por multiplicidade. Eventos abaixo dos 3% previstos e tendências temporais reduzem a certeza. Antecipar troponina não resolve atrasos de decisão, leitos e alta.
https://doi.org/10.1016/S0140-6736(26)01654-5
Dr. Cesimar S. do Nascimento, Médico Cardiologista, CREMERN 2050, RQE 629