06/10/2026
Dieta mediterrânea e saúde mental: o que a ciência mostra?
Uma revisão sistemática recente publicada na Nutrition Research Reviews reuniu 104 estudos — 88 observacionais e 16 estudos de intervenção — para avaliar a relação entre a dieta mediterrânea e diferentes desfechos de saúde mental.
De forma geral, maior adesão ao padrão mediterrâneo foi associada a menos sintomas depressivos e ansiosos, menor estresse percebido, maior bem-estar psicológico e melhor qualidade de vida. A evidência mostrou-se particularmente consistente em relação à depressão, embora nem todos os estudos tenham encontrado os mesmos resultados.
🔬 Como a alimentação poderia influenciar o cérebro?
Os mecanismos provavelmente são multifatoriais e incluem redução da inflamação sistêmica e do estresse oxidativo, além de possíveis efeitos sobre o eixo microbiota–intestino–cérebro, metabolismo do triptofano/quinurenina e sinalização neuroimune.
🐟 O padrão mediterrâneo prioriza peixes, azeite de oliva extravirgem, frutas, hortaliças, leguminosas, castanhas, sementes e cereais integrais, fornecendo fibras, polifenóis, carotenoides e gorduras insaturadas.
⚠️ Um ponto fundamental: associação não significa necessariamente causalidade. Como a maioria dos estudos incluídos foi observacional, ainda precisamos de mais ensaios clínicos randomizados para determinar a magnitude real do efeito.
A alimentação deve ser entendida como parte de uma abordagem integrada da saúde mental. A dieta mediterrânea não substitui psicoterapia ou tratamento farmacológico quando indicados, mas pode representar uma estratégia adjuvante relevante dentro da psiquiatria nutricional e da promoção da saúde.
📚 Referência:
KABTHYMER, R. H. et al. Effect of Mediterranean diet on mental health outcomes: a systematic review. Nutrition Research Reviews, 2025. DOI: 10.1017/S0954422425100243.