28/05/2026
Esse é um tema que exige cuidado, principalmente porque a internet passou a transformar traços de personalidade, hiperfoco, introversão ou genialidade em diagnóstico.
Até hoje, Lionel Messi nunca declarou possuir diagnóstico de transtorno do espectro autista, e não existe confirmação médica oficial divulgada pela família ou equipe. Portanto, afirmar que Messi “é autista” seria incorreto e antiético.
O que existem são hipóteses populares baseadas em características observadas ao longo da vida dele, como perfil reservado, pouca expressividade emocional pública, hiperfoco intenso no futebol desde a infância, necessidade de rotina, desconforto em exposições sociais e comunicação mais contida.
Esses traços fizeram muitas pessoas associarem Messi ao antigo diagnóstico de Síndrome de Asperger, nomenclatura hoje incorporada ao espectro autista nível 1 no DSM-5.
Mas existe um ponto importante na neuropsicologia, características isoladas não fecham diagnóstico.
Hiperfoco, introversão, pensamento sistemático, necessidade de previsibilidade ou dificuldade social podem aparecer em diferentes perfis neurocognitivos, inclusive em pessoas sem TEA.
Ao mesmo tempo, também é verdade que muitos adultos autistas nível 1, especialmente com altas habilidades, passaram décadas sem diagnóstico. Principalmente homens com inteligência elevada e grande capacidade adaptativa.
Talvez a pergunta mais interessante não seja “Messi é autista?”, mas por que tantas pessoas reconhecem traços neurodivergentes em figuras como ele.
Hoje entendemos melhor que cérebros extraordinários nem sempre funcionam dentro do padrão esperado socialmente. E compreender isso é muito diferente de transformar toda diferença em rótulo.
| Nicole Polatto | Psicóloga
| Especialista em Neuropsicologia e Reabilitação Cognitiva
| Autismo | TDAH | Neurodivergência