Nicole Polatto

Nicole Polatto Formada em Psicologia pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, especialista em Neuropsicologia pel

28/05/2026

Esse é um tema que exige cuidado, principalmente porque a internet passou a transformar traços de personalidade, hiperfoco, introversão ou genialidade em diagnóstico.

Até hoje, Lionel Messi nunca declarou possuir diagnóstico de transtorno do espectro autista, e não existe confirmação médica oficial divulgada pela família ou equipe. Portanto, afirmar que Messi “é autista” seria incorreto e antiético.

O que existem são hipóteses populares baseadas em características observadas ao longo da vida dele, como perfil reservado, pouca expressividade emocional pública, hiperfoco intenso no futebol desde a infância, necessidade de rotina, desconforto em exposições sociais e comunicação mais contida.

Esses traços fizeram muitas pessoas associarem Messi ao antigo diagnóstico de Síndrome de Asperger, nomenclatura hoje incorporada ao espectro autista nível 1 no DSM-5.

Mas existe um ponto importante na neuropsicologia, características isoladas não fecham diagnóstico.

Hiperfoco, introversão, pensamento sistemático, necessidade de previsibilidade ou dificuldade social podem aparecer em diferentes perfis neurocognitivos, inclusive em pessoas sem TEA.

Ao mesmo tempo, também é verdade que muitos adultos autistas nível 1, especialmente com altas habilidades, passaram décadas sem diagnóstico. Principalmente homens com inteligência elevada e grande capacidade adaptativa.

Talvez a pergunta mais interessante não seja “Messi é autista?”, mas por que tantas pessoas reconhecem traços neurodivergentes em figuras como ele.

Hoje entendemos melhor que cérebros extraordinários nem sempre funcionam dentro do padrão esperado socialmente. E compreender isso é muito diferente de transformar toda diferença em rótulo.

| Nicole Polatto | Psicóloga
| Especialista em Neuropsicologia e Reabilitação Cognitiva
| Autismo | TDAH | Neurodivergência

Durante muitos anos, o autismo foi estudado a partir de manifestações predominantemente observadas em meninos. Como cons...
19/05/2026

Durante muitos anos, o autismo foi estudado a partir de manifestações predominantemente observadas em meninos. Como consequência, milhares de mulheres cresceram sem diagnóstico, sem acolhimento e, principalmente, sem compreender por que a socialização parecia tão cansativa, intensa e artificial.

Muitas aprenderam a mascarar comportamentos, observar padrões sociais e reproduzir respostas consideradas adequadas. Esse processo, conhecido como masking, frequentemente produz exaustão emocional crônica, ansiedade e sensação persistente de inadequação.

O diagnóstico tardio não significa que o autismo “surgiu” na vida adulta. Significa que, durante muito tempo, o sofrimento foi interpretado de maneira incompleta.

Falar sobre autismo em mulheres é ampliar o olhar clínico, revisar estereótipos e reconhecer que nem toda adaptação representa ausência de sofrimento.

Quantas mulheres passaram a vida inteira tentando parecer funcionais enquanto internamente lutavam para sobreviver emocionalmente?

Compartilhe este conteúdo. Informação qualificada também pode ser instrumento de identificação, acolhimento e transformação.

🧠 Nicole Polatto | Psicóloga.
𝚿 Especialista em Neuropsicologia e Reabilitação Cognitiva

15/05/2026

“Antes não havia autismo.”

Essa frase parece simples, mas carrega uma distorção histórica profunda.

Crianças autistas sempre existiram. O que não existia era conhecimento científico suficiente, acesso ao diagnóstico, compreensão sobre neurodesenvolvimento e, principalmente, olhar humano.

Durante décadas, muitas pessoas neurodivergentes foram tratadas como “estranhas”, “difíceis”, “incapazes” ou até institucionalizadas. Não porque o autismo não existisse, mas porque a sociedade ainda não sabia reconhecer aquilo que fugia do padrão esperado.

O Hospital Colônia de Barbacena se tornou símbolo doloroso desse apagamento. Milhares de pessoas foram isoladas, excluídas e silenciadas sem diagnóstico, sem escuta e sem dignidade.

Hoje falamos mais sobre autismo não porque ele surgiu agora, mas porque a ciência avançou, os critérios diagnósticos evoluíram e famílias passaram a buscar compreensão em vez de punição.

Ainda existe desinformação. Ainda existe preconceito. Mas existe também algo fundamental, a possibilidade de enxergar com mais precisão, ética e humanidade.

Reconhecer isso não é “moda diagnóstica”. É reparação histórica.

Assista ao vídeo completo e reflita sobre quantas pessoas passaram a vida inteira sendo interpretadas de forma errada.

🧠 Nicole Polatto | Neuropsicóloga
CRP 04/41723

12/05/2026

Às vezes, o sofrimento não está apenas no diagnóstico tardio, mas em toda uma vida tentando se adaptar sem compreender por que o mundo parecia tão excessivo, cansativo ou difícil de decodificar. O relato de Letícia Sabatella sobre descobrir o autismo aos 52 anos evidencia uma realidade frequente entre adultos neurodivergentes, especialmente aqueles que aprenderam, ao longo da vida, a mascarar sinais para atender expectativas sociais.

O Transtorno do Espectro Autista, TEA, não possui uma única forma de manifestação.

Muitas pessoas desenvolvem estratégias de compensação emocional e comportamental que dificultam a identificação precoce, o que frequentemente resulta em exaustão psíquica, sensação de inadequação e sofrimento silencioso.

Receber um diagnóstico na vida adulta não muda quem a pessoa é, mas pode transformar a maneira como ela se compreende.

Nomear experiências também é uma forma de cuidado.

Falar sobre neurodiversidade é ampliar escuta, reduzir estigmas e construir ambientes mais humanos.

Compartilhe este conteúdo e ajude a fortalecer uma cultura de acolhimento e respeito às diferenças.

🧠 Nicole Polatto | Psicóloga.
𝚿 Especialista em Neuropsicologia e Reabilitação Cognitiva

09/05/2026

Para muitas famílias atípicas, o que parece “exagero” para quem vê de fora, na prática, é adaptação, segurança e compreensão do funcionamento neurológico da criança.

Crianças autistas podem apresentar padrões sensoriais e motores específicos, incluindo busca vestibular intensa, necessidade de movimento, escalada e exploração corporal do espaço.

Em muitos casos, a altura não representa apenas diversão, mas uma forma de autorregulação sensorial.

Isso não significa ausência de limites. Significa compreender que desenvolvimento e segurança precisam caminhar juntos.

Ambientes adaptados, previsibilidade e manejo adequado reduzem riscos, diminuem crises e favorecem sensação de bem-estar emocional.

A neurodivergência exige menos julgamento e mais conhecimento técnico, acolhimento e escuta sensível.

Quando a criança encontra um ambiente que respeita suas necessidades, ela responde com mais organização, confiança e estabilidade emocional.

Se este conteúdo trouxe reflexão para você, compartilhe.

Informação de qualidade também é cuidado.

🧠 Nicole Polatto | Psicóloga.
𝚿 Especialista em Neuropsicologia e Reabilitação Cognitiva

07/05/2026

A atividade física tem sido uma das estratégias complementares mais estudadas no TDAH, especialmente pelos impactos positivos nas funções executivas, na regulação emocional e na qualidade de vida.

Hoje, as evidências mostram melhora em atenção sustentada, controle inibitório, flexibilidade cognitiva e manejo da impulsividade, principalmente quando o movimento acontece de forma regular e associada a atividades que exigem coordenação, estratégia e tomada de decisão.

Mas é importante fazer uma diferenciação séria.

Atividade física não “cura” TDAH. Também não substitui avaliação adequada, acompanhamento clínico ou intervenções multidisciplinares quando necessárias.

O cérebro com TDAH é complexo e cada perfil apresenta necessidades diferentes.

O que a ciência mostra é algo mais profundo, muitas vezes essas crianças não precisam apenas “gastar energia”. Elas precisam de movimento para organizar o funcionamento cerebral.

Quando compreendemos isso, deixamos de interpretar tudo apenas como comportamento e começamos a olhar para mecanismos neurocognitivos envolvidos na autorregulação, atenção e processamento do ambiente.

Salve este conteúdo e compartilhe com quem ainda acredita que TDAH é apenas “falta de limite”.

| Nicole Polatto
| Neuropsicóloga
| CRP 04/41723

Nem todo comportamento é escolha. Quando interpretamos como escolha aquilo que, na verdade, é limitação funcional, a int...
24/04/2026

Nem todo comportamento é escolha. Quando interpretamos como escolha aquilo que, na verdade, é limitação funcional, a intervenção perde precisão.

Nas investigações do transtorno do espectro autista, três dimensões ainda são subestimadas, funções executivas, processamento sensorial e perfil cognitivo. No entanto, são elas que sustentam grande parte das manifestações do dia a dia.

As funções executivas envolvem iniciação, planejamento, flexibilidade cognitiva, controle inibitório e memória de trabalho. Não se trata apenas de prestar atenção, mas de organizar uma ação, sustentar o esforço e concluir uma tarefa. Muitas crianças compreendem o que precisa ser feito, mas não conseguem iniciar ou manter. Esse descompasso entre compreender e executar é amplamente descrito na literatura.

O processamento sensorial refere-se à forma como o sistema nervoso recebe e organiza estímulos. Alterações podem levar a hiper ou hiporresponsividade, com impacto direto no comportamento. Ambientes com múltiplos estímulos ou sons intensos podem gerar sobrecarga, frequentemente interpretada como descontrole, quando, na realidade, trata-se de dificuldade de modulação neural.

Os perfis cognitivos no espectro também são heterogêneos. É comum observar raciocínio preservado, mas prejuízos em velocidade de processamento, memória de trabalho ou cognição social. Isso contribui para a percepção de que a criança sabe, mas não acompanha. Não é falta de capacidade, é uma organização cognitiva distinta.

Reduzir tudo a comportamento empobrece a análise e compromete a condução. Cada caso exige critério, rigor científico e leitura individualizada. O espectro não é homogêneo.

Compreender o funcionamento permite intervir com precisão. Sem isso, corremos o risco de corrigir o que não é escolha e exigir o que ainda não é possível.

Se isso ampliou seu olhar, salve e compartilhe. Essa informação pode ajudar quem ainda não consegue enxergar o que está por trás do comportamento.

🧠 Nicole Polatto | Psicóloga
𝚿 Especialista em Neuropsicologia e Reabilitação Cognitiva

15/04/2026

Nem todo comportamento significa a mesma coisa, por isso que o autismo não pode ser analisado de forma superficial.

Cada investigação exige critério, rigor científico e, principalmente, contexto.�Porque cada pessoa é única, na forma como percebe, responde e se desenvolve.

Avaliar não é rotular. É compreender com responsabilidade.

Assista ao vídeo para entender melhor. #

| Psicóloga
| Especialista em Neuropsicologia
| Reabilitação Cognitiva

10/04/2026

Você espera distração. Mas o que aparece é vínculo.

Nem todo comportamento fora do esperado é um problema, às vezes, é só outra forma de se conectar com o mundo. 💛

🧠 Psicóloga.
𝚿 Especialista em Neuropsicologia e Reabilitação Cognitiva

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