27/08/2026
Quando o mar está revolto, ninguém entra.
A gente olha, percebe o movimento das ondas e entende que aquele não é o momento de atravessá-lo.
Com a mente, muitas vezes fazemos o contrário.
Quando ela está agitada, queremos resolver tudo imediatamente.
Quando está pesada, nos cobramos clareza.
Quando está cheia de pensamentos, tentamos silenciá-la à força.
Talvez o primeiro passo seja outro: aprender a observar.
No Ayurveda, a mente é compreendida a partir de três qualidades, chamadas gunas: Sattva, Rajas e Tamas.
SATTVA traz clareza, equilíbrio e discernimento.
RAJAS está relacionado ao movimento, à agitação, à aceleração.
TAMAS, à inércia, ao peso, à confusão.
E essas qualidades não estão apenas dentro de nós.
Tudo aquilo que consumimos também alimenta a mente: o que assistimos, ouvimos, lemos, as conversas que cultivamos, as pessoas com quem convivemos e os ambientes que frequentamos.
Por isso, cuidar da mente também é cuidar do que permitimos que chegue até ela.
E não se trata de buscar uma mente permanentemente tranquila.
Assim como o mar, a mente também terá ondas.
A prática está em perceber:
“Como está o meu mar hoje?”
Está agitado?
Está pesado?
Está claro?
O Yoga pode ser um caminho para desenvolver essa intimidade com a própria mente.
Não para controlá-la o tempo todo, mas para reconhecer seus movimentos, criar espaço entre o pensamento e a ação e, pouco a pouco, cultivar mais clareza para escolher como queremos viver.
Porque saúde mental também é:
aprender a não entrar em todos os mares que se apresentam dentro de nós. 🩵