24/08/2026
D-dímero alto não significa, automaticamente ou somente, trombose!
O D-dímero é um produto da degradação da fibrina. Em outras palavras: ele aparece quando há ativação de coagulação, formação de fibrina e posterior ativação da fibrinólise, o mecanismo responsável por degradá-la.
Por isso, ele pode estar aumentado em diversas situações além da trombose: envelhecimento, gestação, exercício físico intenso, infecções, pós-operatório, trauma, câncer, doenças cardiovasculares, diabetes, doença renal e processos inflamatórios.
E aqui entra um ponto muito importante: existe uma relação íntima entre inflamação, coagulação e fibrinólise. Em processos inflamatórios ocorre maior formação de fibrina e, consequentemente, maior degradação dessa fibrina, podendo elevar o D-dímero. Isso pode ser observado inclusive em doenças autoimunes e em outros estados de inflamação crônica.
E a trombose? Sim, o D-dímero faz parte da investigação de TVP, tromboembolismo venoso. Mas, justamente por apresentar alta sensibilidade e baixa especificidade, seu principal valor é ajudar a excluir trombose em pacientes com baixa ou intermediária probabilidade clínica quando o resultado é negativo. Um D-dímero elevado, isoladamente, não confirma trombose.
Por isso, interpretar apenas o número, sem considerar a idade, sintomas, contexto clínico, doenças associadas e outros exames, pode gerar investigação desnecessária e muita ansiedade.
D-dímero, assim como outros exames e marcadores de inflamação, é mais um dado que precisa ser interpretado dentro do contexto clínico.
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