08/09/2026
Você perguntaria para uma inteligência artificial qual embrião deveria transferir?
Um casal chegou ao consultório com dois embriões congelados e uma dúvida importante sobre qual deles transferir primeiro.
Antes da decisão, fizeram o que cada vez mais pessoas fazem: perguntaram para uma inteligência artificial.
A resposta foi interpretada como se a primeira transferência tivesse uma chance menor de gravidez e a segunda, simplesmente por ser a segunda, tivesse uma chance maior.
A partir daí surgiu uma estratégia: transferir primeiro o embrião considerado de menor qualidade e “guardar o melhor” para a segunda tentativa.
Só existe um problema: a reprodução humana não funciona com essa matemática.
Cada transferência embrionária é um novo evento. As probabilidades dependem das características do embrião, da idade da paciente, das condições do endométrio, dos aspectos laboratoriais e de diversos fatores específicos daquele tratamento.
Depois de conversarmos sobre as evidências e sobre o contexto daquele casal, a decisão foi tomada de forma consciente e individualizada.
E é justamente aí que está a diferença entre ter uma informação e saber aplicá-la a um caso clínico.
A inteligência artificial pode ser uma excelente ferramenta para aprender, organizar dúvidas e chegar mais informado à consulta.
Mas ela não conhece toda a sua história clínica, não realizou seus exames e não acompanha todas as variáveis envolvidas em uma decisão médica.
Use a IA para perguntar.
Use para aprender.
Use para chegar à consulta com dúvidas melhores.
Mas decisões que podem mudar o rumo de um tratamento precisam de contexto médico.
Na reprodução humana, informação ajuda.
Informação sem contexto pode confundir.
Dra. Andreia Moro
Ginecologia | Fertilidade
Clínica Vida em Foco
Porto Alegre – RS