22/04/2019
Em muitos momentos as mães sentem um turbilhão de coisas, que muitas vezes são até contraditórias... amor, raiva, culpa... e por aí vai... Pensando nisso, compartilhamos aqui um texto de uma autora, que consegue expressar em palavras muito como as mães se sentem. Compartilha conosco se o texto faz sentido para você!!
"Eu sempre achei que o que mais difícil era justamente a doação. Essa história da gente se dar, e se dar, e se dar um pouco mais, em qualquer local, circunstância e sem hora marcada. Eu até já escrevi sobre isso, que amor de mãe é doação. Doamos o corpo, o coração, a energia, a alma.
Mas se doar não é a parte mais difícil.
Desafiador mesmo é a transformação. É se olhar no espelho e não enxergar a mulher que era antes. Difícil é lidar com as coisas que não cabem mais: crenças, ideias, sentimentos, roupas, pessoas, hábitos.
Difícil é se redescobrir. É achar força para mergulhar dentro de si e traçar um novo caminho. Difícil é achar o caminho.
Difícil é admitir o pequeno luto diante da alegria, da gratidão, da celebração da vida! Difícil é falar dessas coisas. É entender que é ok não estar ok.
Difícil é aceitar que transformação é processo, que leva tempo, lágrimas, cabeçadas na parede, encontros e desencontros. Difícil é ter a certeza que é possível. É dar o primeiro passo no escuro, sem garantias.
Difícil é compreender que se reinventar, muitas vezes, não é como parece, mas sim uma sensação de estar andando em círculos, nadando contra a maré. É saber que essa estrada é serra do mar, não é linha reta.
Difícil é continuar lutando por você. Lutando enquanto se doa. Pronto, tá aí. Isso que é dolorosamente difícil. É conciliar a doação com a transformação. E ter no coração a certeza de que sim, que há força e há espaço para os dois"
Autora: Rafaela Carvalho (.maternidade)