10/12/2025
Imagine... você respira fundo achando que é o fim, fecha os olhos, sente o corpo falhar… e, de repente, percebe que continua pensando, sentindo, vendo quem ama. A única coisa que ficou para trás foi o corpo. O amor, a saudade, a consciência — tudo segue vivo.
Mesmo depois de muitos anos “do lado de cá”, a lembrança desse instante ainda repercute como um trovão na alma. Aquela cena que na Terra chamamos de “adeus” hoje é entendida como o que sempre foi: um até breve.
Porque a primeira vontade de quem desperta no mundo espiritual é gritar para quem ficou:
“Eu estou vivo!”
“Eu vejo vocês!”
“Eu ainda sinto saudade!”
É como se existissem fios invisíveis ligando coração a coração.
Esses fios não se rompem com o enterro, não terminam com a certidão de óbito, não obedecem à palavra “nunca mais”.
Quando alguém pensa em quem já partiu com carinho, respeito e saudade serena, esses fios vibram de leve.
De um lado e do outro.
Quem está aqui sente conforto.
Quem está lá sente paz.
Mas quando o pensamento vira desespero, revolta, culpa, apego doentio… esses fios engrossam, pesam, esticam.
É como um puxão doloroso, arrastando o espírito de volta para as cenas de sofrimento, lágrimas e inconformação.
Ele quer seguir, mas não consegue.
F**a preso ao choro de quem não aceita que a vida continua.
Só o tempo, a oração e a gratidão vão afinando de novo esses fios, até que a lembrança se transforme em amor que acolhe, não em dor que prende.
Do lado espiritual, uma coisa chama muito a atenção:
a falta de preparo para a hora do adeus.
Muitos jovens chegam ainda agarrados aos vícios, às ilusões, à ideia de que a vida era só prazer e fuga de responsabilidade.
Chegam com medo, com raiva, sem noção do que aconteceu.
Ao mesmo tempo, precisam lidar com a revolta da família, o desespero dos que f**aram, as correntes de pensamento que os puxam para trás.
F**a uma pergunta que insiste:
Será que o ser humano ainda não entendeu que está na Terra de passagem?
Ninguém f**a.
Todos, sem exceção, viverão seu momento de adeus.
Alguns serão chamados de forma rápida, inesperada.
Outros irão se despedindo aos poucos, à medida que a doença enfraquece o corpo.
Ter consciência disso não é pessimismo.
É convite à lucidez.
Se a qualquer instante podemos partir, como faz sentido viver brigando por coisas, guardando mágoas, competindo por vaidade?
Por que insistir em cobranças, exigências, orgulho, se um simples segundo pode virar nossa última palavra?
Quantas famílias enlouquecem de dor porque acreditavam ser donas das pessoas, e não companheiras de jornada.
Quantos remorsos nascem daquele abraço que não foi dado, da conversa adiada, do “eu te amo” que ficou preso na garganta.
Equipes espirituais trabalham sem descanso tentando acalmar lares em desespero, influenciar corações para aceitarem o inevitável com menos revolta, mais confiança.
Mas quase sempre falta algo:
um perdão que não foi concedido,
um pedido de desculpa que nunca veio,
um gesto simples que foi deixando “para depois”.
Do lado de cá, a surpresa é perceber como, na hora da passagem, a consciência f**a rápida.
Em segundos, o espírito revisita cenas, palavras, atitudes.
Cada gesto infeliz, cada palavra dura, volta como se batesse na porta de dentro da mente.
E enquanto você lê estas linhas, pessoas no mundo inteiro estão nesse exato momento atravessando o próprio adeus.
Algumas talvez muito próximas de você, sem que você faça ideia.
O que essa mensagem pede não é medo da morte.
É respeito à vida.
Respeito às pessoas que dividem o caminho com você.
Respeito ao planeta que te acolhe.
Respeito às oportunidades diárias de ser melhor do que ontem.
Nunca se imagine superior a ninguém.
Quanto mais alguém se acha “acima” dos outros, maior será o choque ao descobrir que, no fim, só conta o amor que carregou no coração.
Tudo o mais — cargo, aparência, conquistas, títulos, posses — f**a para trás com o corpo.
O que atravessa a fronteira é aquilo que você foi por dentro.
Por isso:
Aproveite cada novo dia como se pudesse ser o último com alguém que você ama.
Dê o abraço hoje.
Resolva o mal-entendido hoje.
Peça perdão hoje.
Agradeça hoje.
Quando chegar a hora de passar pelas “aduanas da morte”, ninguém caminhará ao seu lado segurando a sua mão.
Você irá só — mas não vazio:
levará, como passaporte, tudo o que construiu no coração.
Viva com fé.
Viva no bem.
De tal forma que, no dia em que chegar o seu “adeus”, ele possa ser, na verdade, apenas um luminoso “até logo”.