15/04/2014
Hoje resolvi escrever algo inspirada em um programa de TV que assisti chamado “Secret Eaters”, ou, mal e porcamente traduzido, “Comendo Escondido”. Diferente do que possa parecer com esse título esdrúxulo, o programa não relata casos de pessoas que comem escondidas dos demais e sim, que não percebem o que comem. Vocês podem pensar, “que coisa de nutri f**ar assistindo esse tipo de programa, só pra ver o que os outros comem e o que fazem de errado”, mas a verdade é que, nós nutricionistas estamos cientes de como as pessoas têm se alimentado atualmente, e o que me interessou mais nesse programa foi poder perceber o porquê as pessoas têm se alimentado dessa forma (coisa que, os próprios participantes não percebem!).
Enfim, todo esse blá blá blá foi pra dizer que, durante o quadro principal do programa - que era desvendar o mistério, um casal que dizia se alimentar corretamente, mas a cada dia, estava ganhando mais e mais peso- outra coisa me chamou atenção:
Para demonstrar o quanto desatentos estamos a cerca da nossa alimentação, dois grupos de pessoas receberam uma quantidade X de muffins e afins e, enquanto um grupo assistia TV enquanto comia, o outro não; o resultado? Àqueles que assistiam TV enquanto comiam, consumiram cerca de 25% mais alimentos do que o outro grupo, que estava mais atento ao ato de se alimentar. 25%, ¼ a mais de comida, caraca! Agora imagina isso 1 vez ao dia, 7 dias por semana, o quanto não comemos sem sequer perceber?
E se você não entende qual a importância da necessidade de tanta atenção às refeições, vamos lá: à medida que comemos, nosso cérebro recebe “mensagens”, sinalizando a ingestão de alimentos, o que faz com que, de forma progressiva, nos dê aquela sensação de saciedade. Até aí ok, certo? Pois é, o problema é que para que isso aconteça, é necessário que o organismo libere hormônios específicos, que dependem de sinais ligados à percepção visual e do sabor do alimento, além do tempo de mastigação (que é prejudicado quando estamos desatentos e mastigamos pouco e rápido demais). E é por isso que quando estamos “distraídos” acabamos comendo mais, e só percebemos isso depois, quando já estamos pra lá de estufados!
Ainda não está satisfeito? Então vale dizer que, enquanto buscava novas informações sobre esse assunto, li a respeito de uma pesquisa em que, a todos os indivíduos que entravam no cinema, era oferecido um pacote de pipoca gratuito, com a condição de que, ao final da sessão, o pacote (vazio ou não) fosse devolvido – o detalhe era que, sem saber, metade dos indivíduos recebia uma pipoca normal, enquanto a outra metade, uma pipoca velha. Alguém arrisca adivinhar o que aconteceu? Então, ao analisar os restos das pipocas dos pacotes devolvidos, notou-se que não havia diferença estatística quanto ao consumo da pipoca fresca e da pipoca velha. O que, eles não perceberam que estavam comendo pipoca velha? Pois é, a distração era tanta, que as pessoas sequer perceberam que o que estavam comendo era algo “desagradável”.
Mas aí, você deve estar pensando “Ah, mas eu não faço isso! Bem capaz que não vou me dar conta do que tô comendo.” E aí eu só tenho a dizer, será mesmo?! Quem não adora jantar assistindo a novela? Ou fazer um lanchinho enquanto dá uma olhadinha no facebook? Ou quem até faz suas refeições à mesa, com a família, ou amigos, mas não desgruda do celular (facebook, email, whatsapp e seja lá o que mais)? E aí eu pergunto, você se lembra do que comeu hoje o dia inteiro? E as quantidades?...
Mastigar a comida com calma, sentindo seu sabor é muito mais fácil quando se está atento a isso. A alimentação é uma das mais essenciais e importantes necessidades humanas, então, por favor, trate-a como tal! (: