28/05/2026
Que a gente pare de tratar a vida como
uma prova onde só passa quem acerta tudo.
Que a gente solte essa mania de parecer
impecável, de medir cada passo como
se existir fosse uma coreografia vigiada.
Porque tentar caber em moldes perfeitos
cansa. E ninguém respira direito dentro
de uma moldura apertada.
Que a gente erre com gosto, se permita
tropeçar sem transformar cada queda
em sentença. Que a gente fale o que
sente sem calcular cada sílaba, ame
sem cronograma, viva sem roteiro.
Porque a perfeição é uma sala sem janelas.
Bonita, organizada, mas sem vento.
E a felicidade precisa bagunçar os cabelos ao vento..
Que a gente troque o medo de parecer
ridículo pela coragem de ser inteiro.
Que o riso escape sem pedido de desculpas.
Que o choro venha quando precisar, sem vergonha.
Que a gente largue a ideia de que só
merece descanso quem produziu demais,
de que só merece amor quem se
consertou por completo, de que só
merece alegria quem resolveu todas as dores.
Ser humano não é um projeto de acabamento.
É processo.
É remendo.
É continuidade.
Então que a vida escape das suas mãos
um pouco, sem você correr atrás pra organizar.
Que você se permita existir fora da versão
que esperavam, fora da versão que você
mesmo tentou sustentar por tanto tempo.
Porque, no fim, ninguém vai lembrar da
sua versão mais perfeita.
Vão lembrar da sua gargalhada inesperada,
da coragem com que você se levantou,
e do jeito honesto como você escolheu viver.
Pág Poesia Nua