Psicóloga Ana M.Cacciatore

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Supervisão de caso não deveria começar quando todo mundo já está perdido.Quando a única pergunta da reunião é “e agora?”...
02/09/2026

Supervisão de caso não deveria começar quando todo mundo já está perdido.

Quando a única pergunta da reunião é “e agora?”, provavelmente faltou planejamento antes.

Uma boa supervisão ajuda a equipe a entender três coisas:

o que estamos observando, o que será feito a partir disso e como vamos avaliar se a estratégia está funcionando.

E tem outro ponto importante.

Supervisionar não é apenas dizer para o profissional o que fazer.

É ensinar a pensar sobre o caso.

É organizar hipóteses, discutir dados, revisar estratégias, alinhar objetivos e deixar o próximo passo claro para todos.

Porque uma equipe segura não é aquela que nunca tem dúvidas.

É aquela que sabe onde levar essas dúvidas e como transformá-las em decisões melhores.

Supervisão não serve apenas para resolver problemas. Serve para evitar que muitos deles apareçam.

Nível de suporte não é rótulo. É uma forma de entender quanto apoio aquela pessoa precisa naquele momento da vida.No Nív...
28/08/2026

Nível de suporte não é rótulo. É uma forma de entender quanto apoio aquela pessoa precisa naquele momento da vida.

No Nível 2, falamos em necessidade de suporte substancial. No Nível 3, essa necessidade costuma ser ainda mais intensa, frequente e abrangente em diferentes situações do dia a dia.

Mas existe um ponto que precisa ficar muito claro: o número não resume a criança.

Ele não mede inteligência, afeto, potencial ou quem ela é.

Por isso, mais importante do que decorar diferenças entre níveis é observar como essa criança se comunica, interage, lida com mudanças, participa da rotina e quais apoios realmente fazem diferença para ela.

O olhar clínico precisa ser individualizado.

Porque duas crianças com o mesmo nível de suporte podem ter necessidades muito diferentes.

Acho chique quando o profissional entende que uma boa intervenção não começa pela técnica.Começa pela compreensão da cri...
20/08/2026

Acho chique quando o profissional entende que uma boa intervenção não começa pela técnica.

Começa pela compreensão da criança.

No Autismo, práticas baseadas em evidências como ABA e Modelo Denver ganham ainda mais sentido quando são construídas a partir de uma avaliação individualizada, de objetivos funcionais e da participação de quem convive com essa criança todos os dias.

Família, escola e clínica não precisam fazer exatamente a mesma coisa.

Mas precisam caminhar na mesma direção.

Isso significa observar o comportamento, compreender sua função, identificar habilidades que precisam ser desenvolvidas e adaptar estratégias quando necessário, sem perder de vista os objetivos terapêuticos.

Inclusão também passa por isso.

Não é diminuir expectativas sobre a criança.

É criar condições para que ela possa aprender, participar, se comunicar e desenvolver autonomia da forma mais adequada às suas necessidades.

Quando existe ciência, escuta e trabalho em equipe, a intervenção deixa de ser um protocolo aplicado de forma automática e passa a fazer sentido para aquela criança.

A professora precisa ensinar, acolher, conduzir uma turma inteira e lidar com dezenas de situações todos os dias.Ela não...
19/08/2026

A professora precisa ensinar, acolher, conduzir uma turma inteira e lidar com dezenas de situações todos os dias.

Ela não precisa carregar sozinha a responsabilidade de saber exatamente como agir diante de cada necessidade de uma criança autista.

É aqui que clínica, escola e família precisam se encontrar.

A clínica ajuda a compreender comportamentos, comunicação, desenvolvimento e necessidades individuais.

E transforma essa leitura em orientações que façam sentido dentro da rotina real da escola.

Não é sobre cobrar mais da professora.

É sobre dar a ela ferramentas para agir com mais segurança.

Quando os adultos falam a mesma língua, a criança deixa de receber respostas completamente diferentes em cada ambiente.

E isso faz diferença.

17/08/2026

Quando profissionais caminham em direções diferentes, a criança sente.

O alinhamento da equipe não serve apenas para organizar condutas. Ele ajuda a criar previsibilidade, segurança e confiança.

Queremos que a criança reconheça aquele espaço como um lugar que também pertence a ela. Um lugar onde pode brincar, se expressar, interagir, recusar, tentar de novo e construir vínculos no próprio tempo.

Quando todos entendem a mesma criança, o atendimento deixa de ser uma sequência de técnicas e passa a ser uma experiência mais coerente para ela.

E é nessa coerência que muitas vezes começa a evolução.

Para muitos, ela pode ser “a criança difícil”.A que não obedece.A que foge.A que grita.A que recusa.A que “não colabora”...
13/08/2026

Para muitos, ela pode ser “a criança difícil”.

A que não obedece.
A que foge.
A que grita.
A que recusa.
A que “não colabora”.

Mas, para você que trabalha com neurodesenvolvimento, o olhar precisa ir além do comportamento que aparece.

Porque comportamento também comunica.

Antes de pensar:
“Como eu faço essa criança parar?”

Pergunte:
“O que ela está tentando me dizer com isso?”

Pode ser cansaço.
Pode ser medo.
Pode ser sobrecarga.
Pode ser dificuldade de compreensão.
Pode ser uma tentativa de escapar de algo que está exigindo mais do que ela consegue oferecer naquele momento.

Quando você muda a pergunta, muda também a intervenção.

E é aí que a técnica deixa de ser apenas técnica e começa a virar cuidado de verdade.

Salve este post para lembrar disso na próxima situação difícil.

Às vezes, o incômodo diante de uma criança sendo acolhida não tem relação com a criança.Tem relação com a própria histór...
31/07/2026

Às vezes, o incômodo diante de uma criança sendo acolhida não tem relação com a criança.

Tem relação com a própria história.

Há adultos que cresceram ouvindo que chorar era fraqueza. Que medo era drama. Que sensibilidade era falta de limite. Que obedecer sem questionar era sinal de educação.

Quando essas pessoas veem uma criança sendo tratada com respeito, escuta e cuidado, algo dentro delas pode se mexer.

Porque aquela cena mostra que era possível ter sido diferente.

Não é apenas resistência ao acolhimento. Muitas vezes, é contato com uma dor antiga, que nunca recebeu nome.

Mas é importante entender: respeitar uma criança não significa permitir tudo.

Acolher não é deixar sem limites.

Escutar não é perder autoridade.

Cuidar do emocional não é criar uma criança frágil.

É justamente o contrário.

Quando o adulto oferece segurança, previsibilidade e respeito, a criança aprende a reconhecer o que sente, comunicar suas necessidades e construir recursos para lidar com o mundo.

Quebrar ciclos exige coragem.

Porque, em muitos momentos, será preciso oferecer à criança aquilo que nós mesmos não recebemos.

E talvez esse seja um dos maiores atos de amor: não repetir uma dor só porque ela foi normalizada.

Crise no autismo não é birra.Na birra, geralmente existe um objetivo claro. A criança quer algo, tenta negociar ou obser...
29/07/2026

Crise no autismo não é birra.

Na birra, geralmente existe um objetivo claro. A criança quer algo, tenta negociar ou observa a reação do adulto.

Na crise, ela perdeu a capacidade de se regular.

O corpo entrou em sobrecarga. Sons, mudanças, espera, frustração, fome, dor ou excesso de estímulos podem ter ultrapassado o limite que aquela criança conseguia suportar naquele momento.

Por isso, gritar, ameaçar, punir ou exigir que ela pare imediatamente não ensina. Só aumenta o medo, o estresse e a desorganização.

Durante a crise, a prioridade não é corrigir o comportamento.

É ajudar a criança a recuperar segurança.

Reduza os estímulos. Fale pouco e com calma. Leve-a para um ambiente seguro. Dê tempo. Observe o que ela aceita naquele momento.

Primeiro, regulamos. Depois, orientamos.

E tanto para pais atípicos quanto para profissionais do neurodesenvolvimento, existe um ponto essencial: entender os sinais que aparecem antes da crise pode evitar muito sofrimento.

Acolher não significa deixar de ensinar.

Significa ensinar quando o cérebro da criança está novamente disponível para aprender.

Salve este post e compartilhe com alguém que ainda confunde crise com falta de educação.

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