08/06/2026
A inteligência artificial estava errada?
Não.
Eu estava certo?
Também não é essa a questão.
O mais interessante desse caso é que ele mostra uma diferença fundamental entre informação e avaliação.
Esse paciente era médico e estava estudando Inteligência Artificial. Naturalmente, começou a utilizar a ferramenta para entender melhor sua radiculopatia cervical, analisar seus exames e buscar possíveis soluções para sua dor.
Entre as recomendações que encontrou, uma aparecia repetidamente: evitar dormir de barriga para baixo.
Parece uma orientação razoável.
O problema é que o corpo dele não leu essa recomendação.
Durante a avaliação, observei que uma das posições que mais reduziam seus sintomas era justamente em decúbito ventral na maca, utilizando um apoio facial adequado.
Enquanto a teoria apontava para uma direção, a resposta clínica apontava para outra.
Foi então que tomei uma decisão pouco convencional: emprestei minha maca para ele dormir em casa.
E funcionou.
Ele voltou a dormir.
A dor reduziu.
Os sintomas melhoraram.
E, paralelamente, seguimos tratando a causa do problema até que ele pudesse voltar para sua própria cama.
A grande lição desse caso não é que a Inteligência Artificial falha.
Pelo contrário.
Ela é uma ferramenta extraordinária e cada vez mais presente na nossa prática.
A lição é que protocolos tratam populações.
O raciocínio clínico trata indivíduos.
A IA reconhece padrões.
O fisioterapeuta reconhece pessoas.
E, às vezes, a resposta mais importante não está no exame, no algoritmo ou no artigo científico.
Está na reação do paciente à sua frente.
E é exatamente por isso que a avaliação continua sendo uma das ferramentas mais poderosas da fisioterapia.
Você já viveu um caso em que o paciente não seguiu o roteiro que a teoria previa?
Conta aqui nos comentários.
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