Instituto Jussara Budniak

Instituto Jussara Budniak Seja bem-vindo(a) ao Alma No-Divã.

Se você sente que está carregando mais do que pode suportar,
✓ Se deseja entender os seus ciclos, os seus silêncios e os seus medos,
✓ Se quer construir um caminho de auto cuidado profundo,

🌿 Este é o seu lugar.

19/08/2026

Quando a vida deixa de ser dos outros

Há um momento na vida em que precisamos fazer uma pergunta que pode ser desconfortável, mas profundamente libertadora:

Quem está, de fato, conduzindo a minha vida?

Na perspectiva psicanalítica, tornar-se sujeito não signif**a simplesmente fazer tudo o que se deseja. Signif**a começar a reconhecer aquilo que, durante anos, foi sendo colocado dentro de nós como expectativa, medo, culpa e necessidade de aprovação.

Muitas pessoas passam a vida tentando corresponder ao desejo do Outro.

A família esperava uma coisa.
O parceiro esperava outra.
Os filhos precisavam de outra.
A sociedade dizia como deveríamos ser.

E, pouco a pouco, aprendemos a perguntar:

“O que esperam de mim?”

Mas esquecemos de perguntar:

“O que eu desejo?”

É aí que existe uma das grandes rupturas psíquicas da vida adulta.

Porque assumir a própria vida não é abandonar as pessoas que amamos. É deixar de abandonar a si mesma para que os outros permaneçam satisfeitos.

Freud nos ensinou que nem tudo aquilo que fazemos é consciente. Muitas escolhas aparentemente “nossas” podem estar atravessadas por desejos inconscientes, culpas antigas, medos de rejeição e pela necessidade de sermos reconhecidos pelo Outro.

Por isso, amadurecer psiquicamente não é simplesmente dizer “eu faço o que eu quero”.

É ter coragem de descobrir:

“Por que eu quero isso?”
“Esse desejo é realmente meu?”
“Ou estou tentando, através dessa escolha, finalmente ser aceita, amada ou reconhecida?”

Existe uma diferença enorme entre viver segundo a própria vontade e viver a partir de um desejo que conseguimos reconhecer como nosso.

Talvez maturidade seja justamente esse movimento:

parar de entregar o volante da própria história para as expectativas alheias e começar, pouco a pouco, a ocupar o lugar de sujeito da própria existência.

Nem sempre será confortável.

Porque quando deixamos de viver para agradar, algumas pessoas deixam de nos reconhecer.

E talvez essa seja uma das dores mais profundas da autonomia:

descobrir que, para sermos fiéis a nós mesmas, às vezes precisamos decepcionar a imagem que o outro criou de nós

11/08/2026

A pior solidão não é estar sozinho

A pior solidão não acontece necessariamente quando não há ninguém ao nosso lado.

Às vezes, ela acontece justamente quando há alguém.

É possível dividir a cama, a casa, os planos, as refeições e até uma vida inteira com outra pessoa e, ainda assim, experimentar uma profunda sensação de abandono.

Porque estar acompanhado não é o mesmo que ser encontrado pelo outro.

Na psicanálise, aprendemos que o sujeito não se constitui apenas pela presença física de alguém, mas pela experiência de ser reconhecido, escutado e investido pelo Outro.

Há uma diferença enorme entre alguém que está diante de você e alguém que está emocionalmente presente em você.

Quando o diálogo desaparece, o carinho se torna escasso, o olhar deixa de procurar o outro e a indiferença passa a ocupar o lugar da intimidade, algo começa a acontecer silenciosamente.

A pessoa começa a se adaptar.

Primeiro, ela reclama.

Depois, tenta explicar.

Depois, tenta compreender.

Depois, diminui suas próprias necessidades.

Até que um dia percebe que já não pede mais.

E talvez essa seja uma das formas mais silenciosas de sofrimento psíquico:

quando alguém se acostuma a receber tão pouco que começa a acreditar que não precisa de mais.

A falta de amor não se torna menos dolorosa porque nos acostumamos a ela.

Nós apenas aprendemos a não esperar.

E não esperar pode parecer paz.

Mas, muitas vezes, é apenas uma forma de defesa contra a frustração.

Porque existe uma solidão muito particular em permanecer em uma relação na qual o corpo está acompanhado, mas a vida psíquica está abandonada.

E aqui existe uma pergunta que merece ser feita:

Estou realmente em uma relação ou apenas estou vivendo ao lado de alguém?

Nem toda relação que continua existindo está verdadeiramente viva.

Às vezes, o vínculo permanece na realidade externa enquanto, internamente, a relação já se tornou um lugar de silêncio, ausência e renúncia de si.

E talvez o primeiro movimento de transformação não seja imediatamente ir embora.

Talvez seja:

“Eu sinto falta.”
“Eu estou sofrendo.”
“Isso não é normal para m

09/08/2026

Aos Pais

Ser pai é muito mais do que colocar um filho no mundo.
É deixar, dentro dele, uma presença que continuará existindo mesmo quando suas mãos já não puderem segurá-lo.

Um pai ensina quando escuta, quando coloca limites sem ferir, quando reconhece seus erros, quando protege sem aprisionar e, sobretudo, quando permanece emocionalmente presente.

Porque filhos não precisam de pais perfeitos.
Precisam sentir que são vistos, amados e importantes.

No olhar de um pai, muitas vezes, uma criança aprende a enxergar o próprio valor.

Que hoje possamos celebrar os pais que amam, que cuidam, que aprendem e que têm coragem de transformar suas próprias feridas em um lugar mais seguro para seus filhos.

Feliz Dia dos Pais.

Que a maior herança de um pai seja aquilo que permanece na alma de um filho:
a certeza de que ele foi amado.

Psicanalista Alma-no-Divã
Jussara Budniak

08/08/2026

NARCISISMO: QUANDO O OUTRO DEIXA DE SER SUJEITO E VIRA ESPELHO

Nem todo egoísmo é narcisismo.
Nem toda vaidade é narcisismo.
E, sobretudo, não cabe à internet diagnosticar ninguém.

Na psicanálise, o narcisismo não é simplesmente um defeito de caráter. Ele faz parte da constituição do sujeito. O problema começa quando a relação com o outro f**a profundamente marcada pela necessidade de confirmação do próprio eu.

É aí que uma pergunta pode revelar muito:

O outro é amado pelo que ele é ou pelo que ele oferece para sustentar a imagem que alguém precisa ter de si mesmo?

Porque existe uma diferença enorme entre amar alguém e precisar que esse alguém cumpra uma função psíquica.

Ser admirador.
Ser cuidador.
Ser disponível.
Ser aquele que nunca diz não.
Ser aquele que confirma, o tempo inteiro, que eu sou especial.

Enquanto você ocupa esse lugar, pode existir encantamento.

Mas experimente discordar.

Diga não.

Coloque um limite.

Tenha um desejo diferente.

Deixe de admirar.

E observe.

É muitas vezes diante da frustração que o funcionamento psíquico se revela.

A pessoa que parecia tão encantadora pode transformar o seu limite em ofensa. Sua autonomia pode ser interpretada como rejeição. Seu sofrimento pode ser diminuído. E aquilo que você tentou comunicar como dor pode retornar para você como culpa:

“Você é sensível demais.”

“Você entendeu errado.”

“Depois de tudo que fiz por você?”

“Você me obrigou a agir assim.”

Perceba a inversão.

Você chega dizendo: “Isso me feriu.”

E termina a conversa perguntando a si mesma:

“Será que a culpa foi minha?”

É nesse ponto que precisamos ter cuidado.

Porque uma relação não se torna saudável apenas porque existe amor, desejo, química ou momentos de intensa conexão.

Uma relação emocionalmente madura precisa suportar algo muito mais difícil:

a existência do outro como outro.

Psicanálise não é colocar rótulos nas pessoas.
É aprender a escutar aquilo que se repete na relação e compreender o que esse vínculo está fazendo com o nosso próprio desejo.

Jussara Budniak
Psicanalista | Alma-No-Divã

01/08/2026

Do ponto de vista psicanalítico, o mais interessante não é perguntar "por que ele está chorando?", mas "o que essa música despertou nele?"

A música tem um acesso privilegiado ao inconsciente. Antes mesmo de aprendermos a falar, somos atravessados pelo ritmo, pela voz e pela melodia. Por isso, uma canção pode despertar lembranças, afetos e experiências que ainda não têm palavras.

Talvez aquele menino esteja vivendo a alegria de ver seus ídolos. Talvez esteja realizando um sonho. Talvez aquela música faça parte da história de sua família. Ou talvez ele simplesmente tenha sido tomado pela intensidade do momento. Não temos como saber. E a psicanálise respeita esse limite.

O que podemos dizer é que crianças ainda não aprenderam a esconder completamente os afetos. Quando algo as atravessa, o corpo responde. Os olhos se enchem de lágrimas, a respiração muda, a voz falha. Não porque sejam frágeis, mas porque ainda não transformaram a emoção em máscara.

É por isso que essa cena emociona tantos adultos. Ela desperta a lembrança de um tempo em que sentir não era motivo de vergonha.

Se eu transformasse essa cena em uma reflexão com a sua identidade autoral, escreveria:

Aquele menino não estava apenas cantando uma música. Estava vivendo um encontro entre a emoção e a verdade. Crianças ainda sabem fazer isso. Nós, adultos, passamos anos aprendendo a esconder o que elas têm coragem de sentir. Talvez amadurecer não seja endurecer. Talvez seja voltar a sentir com a mesma inteireza da criança que um dia fomos.

31/07/2026

"Quando alguém pergunta 'como seguir?', quase nunca se está falando do caminho. Está falando do peso de continuar existindo.

Na clínica, aprendi que o sujeito não desiste da vida de uma hora para outra. Antes, vai perdendo o vínculo com o próprio desejo. O desejo silencia, Eros enfraquece, e a repetição da dor passa a ocupar o lugar da esperança.

A psicanálise não ensina alguém a ser forte. Ela oferece um lugar onde a palavra pode devolver ao sujeito aquilo que o sofrimento lhe roubou: sua história, seu desejo e a possibilidade de existir para além daquilo que o feriu.

Porque, muitas vezes, continuar não é um ato de coragem. É um reencontro com a parte de si que nunca deixou de querer viver, apenas deixou de ser escutada.

— Jussara Budniak | Psicanalista

30/07/2026

A CRIANÇA QUE MORA EM MIM

Passei muito tempo tentando entender por que algumas dores nunca passavam.

Mudava de cidade, de trabalho, de relacionamento e até de sonhos. Ainda assim, havia um vazio que sempre encontrava um jeito de voltar.

Demorei para compreender que o tempo faz adultos, mas não cura crianças.

A criança que não foi acolhida não desaparece com a idade. Ela cresce escondida dentro do adulto e continua esperando o abraço que nunca recebeu.

É por isso que tantas pessoas confundem maturidade com resistência.

Aprenderam a suportar, mas nunca aprenderam a sentir. Conseguem cuidar de todos, menos de si mesmas. Sabem oferecer amor, mas não conseguem acreditar que também são dignas dele.

Foi na clínica que compreendi uma das verdades mais profundas da psicanálise: nenhuma dor nasce no presente sem conversar com alguma história do passado.

Curar-se não signif**a apagar a infância.

Signif**a deixar de exigir que aquela criança sobreviva sozinha.

Quando um adulto acolhe a criança que mora em si, ele não muda o passado. Mas impede que o passado continue escrevendo o seu futuro.

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